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Desde 17 de Agosto 2012

domingo, 9 de dezembro de 2012

Fantasia!




Às 10h em ponto peguei a toalha preta, com riscos em amarelo, essa que mais lembrava os fios do seu cabelo, só que bem grossos, e sacudi na janela. No ar, restos de um café da manhã de sabor amargo. Percorriam o ar, em um flutuar calmo, transformando meus olhos em desabrocho de sonhos. Talvez fosse a quantidade de vinho seco que tomamos na noite anterior o motivo de a brisa bater bem de leve na minha alma naquela hora. Talvez não fosse, também. Poderia ser a esperança, a conformação, poderia ser. E foi, aliás, foi-se no vento as migalhas daquele café da manhã.

Como em um estalo de dedos, o passarinho mais próximo da janela anunciou aquele dia que começara tardio. Aquilo que voava, em fuga ou em vão, era algo que tentamos empurrar para o estômago naquela manhã. Dois pães, um fino queijo e café preto, sem leite. Nada mais. Nos seus olhos notava-se o medo de fermentar seus buracos do estômago com vinho seco e leite. Muito forte para o...
seu fim de vida. Bem que não quis mesmo.
Na janela, quase perdi a toalha. Tratei-me de voltar à realidade e pus-me a dobrar tudo. Da trouxa com copos e talheres, a pressa de suportar o dia. Não havia mais tempo a perder, as próximas horas seriam totalmente anos, dias. Nossas cabeças remoíam o vinho da noite, em um amargo que disputava lugar na língua com o café preto, sem açúcar. Nada disso tirava o espaço da preocupação.

Queríamos tudo de volta naquela manhã. Os 50 anos juntos, o primeiro anel de rubi, o sapato do primeiro casamento seu. Bom, nem deveria estar ali, de verdade, pois o teu barro fora amassado em outros horizontes antes de mim. Todavia, aprendi com você que a vida suja é a que anda descalça, por aí.

Às 11h47 estávamos onde teríamos de estar. A toalha ficara de fora, pois não se pode parecer arraste em momentos de roupa não amassada e de cabelo penteado. Nossos ouvidos estavam limpos, arruei algo para limpar justamente para receber a notícia.

Nos separaríamos, desta forma se anunciou, da boca de dentes frouxos e faltantes, a palavra cantada do doutor. Tu eras o fim no olhar, nem esperou a morte que chegaria em breve. Eu, sem ter o que fazer, agradeci e te peguei nas mãos. Tinha certeza absoluta que a dor do vinho da noite anterior ainda estava com você. A mesma certeza de que também sentia-se conformado. Por tudo que passamos, ali era o ponto final.

Às 13h43 voltamos ao nosso lugar. Coberto por um fino cheiro de esgoto, os tubos de do nosso ambiente abandonado era realidade. Os ratos e as aranhas até deixaram a gente em paz, sabiam o que ali se permeava.

Não adiantou nada narrar aquela fantasia das 10h, que no desespero se condicionou como único remédio. Nunca tivemos nada e eu passaria a não ter você.

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Poesia de Momento

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