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sábado, 12 de outubro de 2013

O SONETO EM FALSO - Bruno Junger Mafra



Bruno Junger Mafra
O SONETO EM FALSO

Tarde foi quando percebi o falsete de sua voz
Agora nada existe para que se possa voltar atrás
Então sigo na decepção de uma ilusão atroz...
Engolindo a vida que não se fez e não se faz

Ventriloquo som que tornou meu sonho fugaz
Transformando a calmaria em maremoto feroz
Me vi de repente vazio feito um barco sem cais
Impotente para desatar dos passos os seus nós

Sem chão e caminho vão meus olhos assustados
Nada que indique estradas onde se possa sonhar
Mas sim trilha prenhe de sangue dos condenados

Eis que eu me encontro ilha vazio no meio do mar
Luta nada e desistida na junção dos desesperados
Vagando sem sentido no sentido inverso do olhar

Uma pergunta... - Al Reiffer

 
 

Al Reiffer

Uma Pergunta...

“O que vejo, o que sou e suponho
não é mais do que um sonho num sonho.”
E. A. Poe

quem garante
que o real não é sonho
e que o sonho
é o que é?
há lagos em que o fundo
nunca alcança a existência
de nosso pé

o que existe existe
ou existe
porque eu penso que existe?
dependendo de como
e quando
se vê
a mesma flor
pode ser alegre
ou pode ser triste

e quem me dirá
que pensar é saber
se quando penso
há pensamentos
que pensam opostos em mim?
se eu pensasse certo
sobreviveria no nada do deserto?

só se sente
que o sonho é sonho
quando o sonho chega ao fim
e mesmo quando sinto
não domino o que vem-me aos sentidos
e até mesmo o vinho tinto
só é tinto
porque meus olhos humanos
o percebem assim

o que sinto e vejo
é algo que corre em todos
ou é só um desejo
de meu eu?
e isto é um verso
ou é só um nada já dito
perdido

em um sonho do universo?

www.artedofim.blogspot.com

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

DA NOITE MÍSTICA SOU EU - Valter José Guerreiro


Valter José Guerreiro
DA NOITE MÍSTICA SOU EU

Vem descalça e nua de todas as coisas e até do teu nome
E da noite das noites desce líquida nos meus lábios secos
Vem de todos os ocultos e tão leve que te não pressinta...
E traz-me o verde do sonho na floresta de uma só árvore
E o brilho de todas as sombras num único ponto de luz

E diz-me donde tudo começou e eu te conheci
Que do outro que desconheço é o meu ser
Daquele que se procura e está em ti!

Valter Guerreiro

»Abrigo-me sozinho - Nelson Poesia/Topografia



Nelson Henriques
Nelson Poesia / Topografia
»Abrigo-me sozinho
Onde a dor perdura
Sem o doce carinho
Onde um ardor, fura
....
Numa Alma chorada
Rastejada, em palco
Sem calma, desejada
Gritada, sem cálculo
.
Recalcando a mente
Estremecendo a pele
Onde sente, sempre
Num sofrimento, fiel
.
Dorida, importância
Tatuada cicatriz, vil
Cuspida, indutância
Suada ferida, febril..«

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

COMO ME POSSO CALAR - Joaquim Barbosa


Joaquim Barbosa
COMO ME POSSO CALAR

Como me posso calar?
Com tanta gente a sofrer!
Se nos uníssemos a gritar...
Tínhamos mais força para vencer.

Como posso concordar?
Sem sentir dor no coração!
É tempo de recrutar
Lutar pela libertação.

Como posso não lutar?
E negar o meu chamado!
Vamos, temos de acordar
O povo que anda enganado.

Como me posso esquecer?
Dos males da governação!
Que aos poucos está a vender
Esta pobre e nobre nação.

Como posso ser covarde?
E os meus braços cruzar!
E antes que seja tarde
Vamos prá rua. Lutar.

Como posso aceitar?
Ver tantas perseguições!
E a minha voz calar
Sem denunciar estes ladrões.

ATÉ QUE A VOZ ME DOA
 
 
 

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

AQUELE MAR SERENO - José Manuel Cabrita Neves


José Manuel Cabrita Neves
AQUELE MAR SERENO

Na noite escura, o mar de águas serenas,
Brilhava nos reflexos do luar!
E nas ondas suaves e pequenas,...
Depositei, sereno, o meu olhar…

Nas rochas, o esbater, brando apenas,
Que no meu rosto vinha salpicar!
Ali passava eu horas amenas,
Aquela maresia a inspirar…

Confidente de mágoas e lamentos:
Querido mar que o coração me afaga
E me inspira de alegres pensamentos!...

Quando a tristeza os olhos me alaga,
Eu conto àquele mar meus sofrimentos,
Que me acalma e cura a minha chaga!...

 

 Foto: A LUA E O MAR

terça-feira, 8 de outubro de 2013

(Sophia de Mello B. A.) Udi Marques



 
 
 
 
 
Udi Marques
 

MANHA, CAFÉ & ARTE - Carlos Lobato


Carlos Lobato
MANHA, CAFÉ & ARTE

Há coisas simples que valem o momento.
Momento de qualidade e sentidos afinados.
O regozijo da manhã, o inalar dos cheiros....
Um banho farto aproveitando a água quente,
abusando da abundância que a tantos falta.
Mas nao tenho culpa! Uma coisa simples,
afinal a coisa mais simples, (re)acordar.
Um pouco de arte, imaginar um sabor,
um cheiro, uma visão que se entranham no vazio.
O cheiro a café fresco moido,
a moagem ruidoza, o grão desesperado
gritando em odores que me deleitam.
Tentar resistir a nao abrir a moagem e,
manter este cheiro puro indefinidamente.
E a máquina do cafe acorda, lenta...
Uma preguiça que eu recomendo.
"A bebida do diabo" que escorre, grossa,
quente e aveludada, quase pingo a pingo,
Forte, como a emoção do meu palato.
O cheiro, mágico e hipnótico.
Um ritual mágico e quase divino,
que faz conscientemente adiar a prova.
Um prazer repetido, sádicamente lento.
O deleite, o prazer e o supremo.
O primeiro golo. O levantar da chávena,
a destreza do vapor que sobe enfeitiçando.
A natureza no seu melhor, coisa simples.
A soberba mesmo pobre. Apenas um café.
Um pequeno filme, uma obra de arte,
um amanhecer, um desenho de mestre.
Sabe imensamente bem o oxigénio,
sabe intensamente bem a inteligência.
O momento mágico é este, tao simples.
A manhã, um café, um pouco de arte!

09 MAIO 2013

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

A MÁ SORTE QUE ME CALHA - Angelo Augusto



Angelo Augusto
A MÁ SORTE QUE ME CALHA

Ao sonho volta a sede tão antiga
E à confusão a força natural,
E como som de última cantiga...
Aos meus ouvidos morte mais rural...

E como o tempo sempre me fustiga,
E como a mágoa ganha por sinal,
E como o amor ardente me castiga,
São a verdade em triste meu final.

Em um regresso intenso de lamento,
Em um pedaço sólido em mortalha,
Que nunca mais me livra deste aumento

De sofrimento, pelo que me falha
E pelo amor que está no sentimento,
Só pode ser má sorte que me calha...

domingo, 6 de outubro de 2013

NOITE DE PÉGASO... - Maria Elisa Ribeiro


Maria Elisa Ribeiro
NOITE DE PÉGASO…

.uma gota de orvalho deslizou, caiu e o solo estremeceu…
.foi o peso da asa de uma borboleta que desnudou a folha
[coberta de humidade…...


…esse chorar lacrimoso da noite, em que o orvalho viaja no dorso de Pégaso,
num ar invisível recheado de densas neblinas.

.na escuridão do crepúsculo adiantado, embriaga-se o solo com o som da água
a correr pelas folhas, em-socalcos da ténue espuma-a-respirar,
[nas-dobras-do-rio…

.murmura a brisa ao sentir ruírem pequenos pedaços de nós
.que deslizam perenemente para uma qualquer queda de água
.que teima em chegar ao mar, onde as ondas espalham seus leques de branca
[espuma, por sobre o areal
…onde fazem sussurrar o pobre cascalho já quase morto como areia
[do deserto-longe-tão-perto…

Ouvem-se os passos dos mistérios da noite das montanhas…
Movem-se, abanando, as asas do cavalo de vento…
O olho da Lua espalha-se em efeitos de luz, quieta como lago calmo,
[prateando o mundo…
…mundo exterior, em geometrias do espaço geográfico…
…mundo interior, em tessituras-graves-de-agudas sinfonias…

Uma gota de orvalho caiu…outra caiu, depois de outra…
Ninguém ouviu…o húmus agradeceu e o nascimento de um poema
[aconteceu dentro do solo
[fertilizado…

.os elfos e os duendes, cansados de lendas celtas, rejubilaram…
…nadaram num leito de urzes e cavalgaram giestas na noite de Pégaso,
na louca fantasia de usar a mitologia, como foco de verdades .

Os grilos pastorearam- cantatas- na-luz -do- luar
e as estrelas ficaram entretidas, a ver-a-noite-passar-a-vê-las…

Maria Elisa R. Ribeiro
(Marilisa Ribeiro)-REG-CP13-AGT/013(VDS)
 

Silenciada - Laisa Ricestoker

Laisa Ricestoker
Silenciada...

“As palavras mais difíceis de se dizer são as enterradas no silêncio, as que são tão necessárias, mas estão sepultadas pelo que cala no túmulo do conformismo, sob sete palmos de anos passados, asfixiado em seu próprio vácuo você busca o ar, quer gritar, mas o som não se propaga, e você ouve ecos longínquos dos que tudo sabem, ou que muito se importam, dizendo que você deve sair da inércia, mas você não pode, porque não está em estado de apatia, a apatia é quem está em você, seu estado letárgico, taciturno forçado, forçando a mais um letal turno na areia movediça, quanto mais se move, mas afunda, poço fundo, a agonia de estar calado quando se deseja dizer... tanto a dizer, mas o tempo passou, e aquelas palavras não cabem mais, já são tão banais, tão repetitivas, de tão vitais que eram se tornaram mortas, foram esquecidas em algum cemitério de pensamentos pertinentes, mas inúteis... como um arquivo morto, velado, mumificado, era importante, era necessário, é tempo perdido, e esse tempo que dizem Doutor, em mim nada curou, sigo me afogando nos fluidos do meu próprio fôlego, submergida nos gritos da voz que não mais possuo... imersa no hálito frio de uma calmaria que tem a face surda, muda, cega, de sorriso falso, e uma boca com poucos dentes e muita ironia, a boca do silêncio..."

Laisa Ricestoker
 
 

PRECE PRA ELA - José Luiz Santos

José Luiz Santos
Essa música não tocou no rádio.
Ela foi feita por mim, a letra, enquanto a música, em ritmo de bossa-nova, foi feita por um amigo de juventude, que outro dia tive a felicidade de reencontrar, Armindo Motta Rosa.
Ela obteve o 3º lugar num festival da canção, no Colégio Estadual Rosa da Fonseca, onde eu cursava o então científico, lá no Bairro da Vila Militar. Corria o ano de 1968. Eu tinha 18 anos, pouco dias depois desse festival, o AI-5 e toda a tristeza decorrente dos anos de chumbo inaugurados com ele.
Considero, essa letra,o marco que assinala o término da minha vida ingênua de menino, assinalando a minha entrada na dura vida de adulto.

...

 PRECE PRA ELA


Cantando, chorando
pensando só nela
sonhando com ela
não quis me aceitar
seguindo no tempo
me largo no vento
é vento de outono
que leva pro mar. . .
O dia entardece
já nasce uma estrela
me sento na areia
e faço uma prece
é prece pra ela
minha prece de amor
é canto pra ela
o meu canto de dor . . .

La rá la rá la rá la la la. . .

sábado, 5 de outubro de 2013

MODELO JÔNICA - Freddy Diblu


Freddy Diblu
MODELO JÔNICA

Há quem garimpe: “Mulheres!” De toda tribo e etnia
Louras, ruivas, morenas... Mulheres, mulheres em profusão
Mulheres tronchudas, mulheres rechonchudas......
À ótica grega, respectivamente, coríntias e dóricas então
Entalhadas em expressões fora de mídia, à modesta simetria
(Que me compreendam por vê-las esteticamente insortudas)
Mas nada como a modelo Jônica – sinuosa, suntuosa, monumental!
Ao encontro da sublimidade, propensa a levitação
Em cujo conjunto exaltam-se equilíbrio e harmonia
A pactuante simbiose do divino com o carnal.

Criação holofótica que, diante súbita contemplação, a gente
Sente se desmoronar feito edifício em implosão.
Bioescultura passante, que desperta interjeições imitáveis
Faz repaginar todos os conceitos de beleza imponente
A conter o ímpeto de Zeus e aplacarem-se os androceus.
Primor ao ar livre, de cujas madeixas escandalizáveis
Sugerem volutas, cascatas tremeluzentes nos breus
Pela passagem inebriante do ano-novo em Copacabana.
De cujo rosto insinua miragem e realismo estilizado
Capitel a emergir sensações de... ‘sonhar acordado’.

Uhu! É tronco de geometria lânguida, soberana!
Dá até presto estrabismo nos cultores da arte. Alinha
Relevo de seios e nádegas; espáduas e dorso fachudos
Quadris autoexplicativos, rebolativos na marquinha
Do biquíni, para deixar a crítica fissurada, na linha.
E as pernas... que pernas! ortopilares polidos e polpudos
Como se fossem delineadas à Da Vinci em computador
Em cuja têmpera acetinada deslumbra bronzeado a verniz.
Ah, a modelo Jônica! [splow, splow!] bem-bolada matriz.
Bravo! Bravo! Sua Excelência, o Altíssimo Escultor.

Freddy Diblu
 
 

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

BORBOLETA RECÉM-NASCIDA - Terê Oliva



Teresinha Oliveira
BORBOLETA RECÉM-NASCIDA
 

Em seu ócio requintado, sobre as colunas clássicas que sustentavam sua cela
Ela chorava rente à loucura.
Não com as lágrimas dóceis dos débeis, mas com uivos de animais feridos.
No silêncio escuro, a mulher parasita em seu tempo...
Quando esquece seus versos preferidos, e dos poetas fogem-lhe os nomes
Quando todas as ideias brilhantes se revelam líquidas
Quando as pessoas arrogantes, que são inúteis, sentam-se nas cadeiras de vime que sua memória conserva.
O vazio que a circunda não tem asas, mas tem sons e ecos no bater das asas de uma récem-nascida borboleta
Que no cio do ar frio se esmaga contra o vidro da janela e rompe a manhã.
Um sentimento de naufrágio inunda de vez sua ansiedade pelo dia
A palidez do futuro para ela não tem mistérios.

Lynn Ann Sanguedolce - Pintora Americana Contemporânea.
Terê Oliva
http://tereoliva.blogspot.com.br/

AS MINHAS RAÍZES ESTÃO NO SONHO - Severino Moreira



Severino Moreira
###

AS MINHAS RAÍZES ESTÃO NO SONHO,
.
... EMBEBIDAS NO FERMENTO DA BUSCA INCESSANTE...
QU`O FAZ CRESCER P`LOS ESPAÇOS INOFENSIVOS
CARREGADOS DE UTOPIAS FLORESCENDO.
... SULCANDO DESCOMPLEXADAMENTE OS CAMINHOS DA FANTASIA
QUE DANDO COR E VIDA ÀS ILUSÕES
POR ELAS MESMAS ME VENÇO E RENDO.
.
AS MINHAS RAÍZES ESTÃO NO SONHO.
.
... QUE POISA ANTES DA MEMÓRIA PROIBIDA
NUM TEMPO BELO MAS DIFUSO
QU`AINDA NINGUÉM GEROU.
... ACREDITANDO QUE SÓ AÍ SEREI ARTESÃO
DESTA TERRA QUE SOU
NESTA TERRA EM QU`ESTOU.

peça um desejo (...) - Rosa Ralo



Rosa Ralo
 
 
peça um desejo
sempre que uma estrela cair...

pelo imenso universo
espalham-se desejos sem fim...
que não alcançamos
porque temos braços pequeninos...
mas, quando uma estrela cai
é agora ou nunca...!!!
não perca a oportunidade
de se vestir de sonhos
de plantar sorrisos
de voltar a ser criança...
porque a lanterna mágica
do Aladino
perdeu-se neste mundo louco
quem sabe onde andará...?
e só as estrelas
podem ainda cumprir o destino
de quem tenha a sorte
de as ver cair...

r.r.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Almada Negreiros







José Sobral de Almada Negreiros, artista plástico e escritor, nasceu em 1893 em São Tomé e Príncipe, onde o pai era administrador do concelho da cidade. Estudou no colégio jesuíta de Campolide, para onde entrou em 1900, aos sete anos de idade, após a morte prematura da mãe, em 1896, e a partida definitiva do pai para Paris nesse mesmo ano. Aí realizou os jornais manuscritos "República", "Mundo" e "Pátria". Após o encerramento do colégio, frequentou entre 1910 e 1911, o liceu de Coimbra, de onde passou para a Escola Nacional de Belas Artes, em Lisboa. Em 1915, integrado no grupo "Orpheu", centrou a sua polémica ideológica numa crítica cerrada a uma geração e a um país que se deixava representar por uma figura como Júlio Dantas. Mostrando se convicto de que «Portugal há de abrir os olhos um dia», lançou, em 1917, um "Ultimatum Futurista às Gerações Portuguesas do Século XX", precavendo as contra a «decadência nacional», em que a «indiferença absorveu o patriotismo».
Entre 1919 e 1920 retomou os estudos de pintura em Paris. De regresso a Lisboa, adquiriu uma serenidade bem expressa na sua afirmação de que «entre mim e a vida não há mal entendidos». Mas, em 1927, de novo desgostoso com a falta de abertura do país às novas correntes ideológicas e culturais, foi para Madrid. Aí, como já antes o fizera em Lisboa, a par da sua actividade nas artes plásticas, colaborou com a imprensa. Com o agravamento da crise económica e social espanhola, após a proclamação da República, Almada regressou a Lisboa, em Abril de 1932. À consciência nacional que Paris lhe trouxera acrescentava agora uma «consciência ibérica culturalmente definida por valores líricos de uma certa lusitaneidade». Em 1934, casou com a pintora Sara Afonso.
Almada Negreiros, conhecido como «Mestre Almada», colaborou nas revistas de vanguarda "Orpheu" (de que foi co fundador), "Contemporânea", "Athena", "Portugal Futurista" e "Sudoeste" (que dirigiu). Participou em exposições de arte, nomeadamente na I Exposição dos Humoristas Portugueses (1911), a primeira do modernismo nacional. Como artista plástico, são de realçar os seus murais na gare marítima de Lisboa, os trabalhos para a Igreja de Nossa Senhora de Fátima (mosaico e pintura) e o célebre retrato de Fernando Pessoa. Pintor do advento do cubismo, a sua actividade artística estendeu se ainda à tapeçaria, à decoração e ao bailado.
Como escritor, publicou peças de teatro ("Antes de Começar", 1919; "Pierrot e Arlequim", 1924; e "Deseja se Mulher", 1928); o romance "Nome de Guerra" (escrito em 1925, mas publicado apenas em 1938, e que é considerado um dos romances fundamentais do século XX português e o primeiro em que se manifesta já a arte modernista); os poemas "Meninos de Olhos de Gigante" (1921), "A Cena do Ódio" (escrito em 1915 durante a Revolução de Maio contra a ditadura de Pimenta de Castro e publicado apenas em 1923, que consiste numa descrição violenta do Portugal da época, em que se exprime uma dialéctica de amor ódio que seria a tónica dominante das relações do artista com a pátria), "As Quatro Manhãs" (1935) e "Começar" (1969); e uma série de textos de crítica e polémica, dispersos pelas publicações em que colaborava. De entre estes, destacam se o "Manifesto Anti Dantas" (1915), verdadeiro libelo de reacção ao ambiente cultural estagnado e academizante da época, o "Manifesto" (1916), o "Ultimatum Futurista às Gerações Portuguesas" (1917) e "A Invenção do Dia Claro" (1921), conferência sob a forma de poema. A sua obra representa uma síntese, única na sua geração, das tendências modernistas e futuristas de então, não apenas por, como artista, ser multifacetado, mas também pela sua capacidade de fusão e conjugação, nas letras e na pintura, das vertentes plástica, gráfica e poética. Almada Negreiros faleceu em 1970.
Em 1970 e 1988, foram publicadas duas edições de "Obras Completas de Almada Negreiros", comemorando a última o centenário do autor.
Artista da novidade e da provocação, em demanda de «uma pátria portuguesa do século XX», atento à busca de uma unanimidade universal e profundamente marcado pela herança e o sentido da civilização europeia, foi uma das grandes figuras da cultura portuguesa do século XX. Artisticamente activo ao longo de toda a sua vida, o seu valor foi reconhecido por inúmeros prémios.


 
 
 

 

domingo, 29 de setembro de 2013

DESPERTAR - Gilberto Wallace Battilana


Gilberto Wallace Battilana
DESPERTAR



Desperta, o dia já nos espia,
a manhã, doce tecelã,...
abre a janela
e, na luz da sua tela,
te vejo: jamais estiveste tão bela.
Não desmanches o nosso abraço,
o amor vence o cansaço.
Envolto nos teus cabelos revoltos,
não me importa que o tempo siga,
faço de repouso a minha fadiga.
O sentimento que eu não conhecia,
em ti descobri,
além das tuas ardentes coxas.
Tua beleza me faz invulnerável.
Esquece em outro lado o passado,
só a paixão me interessa.