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Desde 17 de Agosto 2012

domingo, 3 de fevereiro de 2013

sábado, 2 de fevereiro de 2013

FADO DA COSMOPÓLIS - Valter José Guerreiro

"POETAR" 4/2013
02.02




Valter José Guerreiro


FADO DA COSMOPÓLIS

Dolente de melancolia
Selei no peito a saudade
Das guitarras fiz poesia
E da alma, apenas fado

Fui das margens citadino
Com lágrimas de maresia
E chamei dor ao destino
Nas sombras da Mouraria

Sofri censura e degredo
Fui povo, nobre e burguês
Da morte não tive medo
Estou vivo e sou português

Um português literato
Tangendo Torga e Pessoa
E de jaqueta ou de fato
Amo-te sempre, Lisboa!

De fatum volvi em fado
De ligeiro sou profundo
Ó meu País humilhado
Voa sonhos nas asas minhas
Que sou cidadão do mundo!

Valter Guerreiro


Frente ao Mar - Agostinho Gomes


Ela era,
No lençol que a envolvia,
Ela era após o banho
E as águas que a tatuaram,
A Vitória de Samotrácia.
Asas infunadas
A ventos de fantasia.

- Heróica ou trágica?
- A Poesia!

Esculpida pelo vento,
A terra fugia, ela era altura...
Rosa-dos-ventos serenada,
Era a aventura.
Ah! a Vitória de Samotrácia!


Agostinho Gomes in AS SOMBRAS DOS DIAS (1967)


www.bibliothequeduvalais.blogspot.com tem 1 exemplar disponivel de AS SOMBRAS DOS DIAS (1967) (15 €), para o adquirir ou saber mais sobre a obra mencione a intenção em comentários.



Agostinho Francisco Gomes nasceu na freguesia de Couto de Cucujães, concelho de Oliveira de Azeméis, distrito de Aveiro, a 7 de Janeiro de 1918, em casa de família.
Passou a infância em Cucujães (até aos onze anos) e em Singeverga (Minho), dos onze aos quinze. Fez a instrução primária na terra natal, na Escola Primária do Picoto. Os estudos secundários foram repartidos por diversas escolas – Colégio de Singeverga, Colégio de Oliveira de Azeméis e Colégio Coimbra.
Frequentou a Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, onde concluiu a licenciatura em Filologia Românica e o Curso de Ciências Pedagógicas. Efectuou também, em Coimbra, o Exame de Estado.
Exerceu sempre o professorado, passando pelos mais diversos estabelecimentos de ensino. Iniciou funções oficiais, no ano lectivo de 1950/51, no Liceu Nacional da Covilhã, como Professor Eventual. Foi Professor Estagiário, no Liceu Nacional José Falcão, em Coimbra, durante os anos lectivos de 1952/53 e 1953/54. Tornou-se Professor Efectivo no quadro do Liceu Nacional de Leiria, no ano lectivo de 1954/55. Foi professor nos Liceus de Oeiras, Alexandre Herculano (Porto) e de Vila Nova de Gaia, cujo nome passou para Escola Secundária nº 2 de Vila Nova de Gaia e, mais tarde, para E. S. de Almeida Garrett (V. N. Gaia); ministrou cursos nas Universidades de Estrasburgo (cinco anos) e Bordéus (dois anos) e no Instituto Superior de Administração e Contabilidade do Porto (ISCAP).
Aposentou-se no ano lectivo de 1987/88, por ter atingido o limite de idade (70 anos).

Agostinho Gomes conciliou a docência com a escrita. Nesta área, deixou uma rica e variada obra literária publicada, desde poesia a ficção, passando ainda pelas traduções.
Títulos como As Sombras dos Dias, Música do Silêncio, Ladeira e Ilha Verde merecem destaque no campo da poesia, bem como Um rio separa os homens e Terra Abandonada no âmbito da ficção.
Foi membro da extinta Sociedade Portuguesa de Escritores, Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto, Associação de Escritores de Gaia, Association France-Portugal, de Bordéus e dissociou-se da Associação Os Amigos de Ferreira de Castro.
Colaborou intensamente em jornais e na rádio.
Proferiu conferências em Portugal e no Estrangeiro.
Como autor, está integrado em diversas antologias e foi traduzido e objecto de críticas literárias em França, Bélgica e Espanha.
Tem colaboração dispersa por In Memoriam de Ferreira de Castro, Presença do arquipélago de S. Tomé na Moderna Cultura Portuguesa, Mea Villa, Amigos de Gaia, Vértice, Brasília, Revista de Poesia e Crítica. (Brasil),...


Obras de Poesia
… da minha Saudade, Ed. Meio Dia, Porto, 1941 (esgotado)
Ladeira, Ed. Gente Nova, Porto, 1945 (esgotado)
Música do Silêncio, Coimbra, 1957 (esgotado)
Ladeira, 2ª ed., Porto, 1964 (esgotado)
As Sombras dos Dias, Ed. Nau, Porto, 1967 (esgotado)
Ilha Verde, Ed. Nau, Porto, 1968 (esgotado)
Galiza da Minha Ternura, Gaia, 1994 (esgotado)
Janela – e Rua e Mar ao Fundo, Artescrita, 2008 (esgotado)
Criança Meu Amor Sempre, C. M. O. A., 2009
Quando a Poesia é Visita..., lugar da palavra editora, 2010
Canas ao Vento e Canções do Mal-Amado, lugar da palavra editora, 2011
 

Vontade de passagem - Poesia de Momento


"POETAR" 4/2013
02.02





Poesia de Momento

Vontade de passagem

Suspeitei por tempos que seus cachos eram mais meus do que do mundo. Acreditei como poucos que seu sabor e gosto eram uma coisa só. Sabia descrever cada respiração sua, cada promessa feita, cada nova mordida nos lábios, tudo isso sem ao menos lhe dizer palavras quaisquer.

Entendia muito sobre seu viver, os sapatos azuis, as meias transparentes, a sua mística ao anoitecer. Recebia provas disso toda vez que a via se recompondo de cada surto de mal-criação.

Tinha nas mãos seus números da sorte, seu passos para o norte, sul, oeste. Construía com você falas soltas, marcações no tempo, beijos eternamente na boca. A promovia como um ser meu, assim como era, mesmo.

Hoje esqueci de tudo isso, pois na rosa que lhe trouxe a saudade veio junto e me fez sentir sono profundo, como em todas as vezes que tentei morrer assim como você conseguiu.

http://www.facebook.com/pages/Poesia-de-Momento/281476858627520?ref=hl


FACA DE DOIS GUMES - Guria da Poesia Gaúcha

"POETAR" 4/2013
02.02

 
 
Guria da Poesia

FACA DE DOIS GUMES

Vivo dividida entre amar ou não,
Afinal se não amo, perco a vida
Mas, se eu amo perco a razão,
E vivendo assim por caminhos
Indecisos e desnorteados, eu
Viro tipo pássaro perdido que
Treme e teme ser ferido, ficar
De dor desatinado e desasado,
Pela faca de gumes afiados e
Cortados, pela vida com lados
Tão desafiados e desafinados!

 Guria da Poesia Gaúcha

Gostaria. - Neuza Rodrigues Ferreira

"POETAR" 4/2013
02.02
 
Neuza Rodrigues Ferreira

Gostaria.

Gostaria de viver em um mundo,
Onde tudo fosse harmonia,
Nada para trazer dor, nada que ferisse,
Que fosse como as flores que desabrocham para perfumar,
Da mata que tem vida para encantar,
Do sorriso inocente de uma criança que não tem maldade,
Da inocência dos anjos que vivem para nos guardar,
Do sábio que ouve tudo em silencio,
Pois sabe sua hora de falar,
Gostaria que o homem lembrasse-se dos seus ensinamentos,
E para que veio a esse mundo,
Que se esquecesse de fazer maldades,
E lembrasse que sua vida é preciosidade,
Que Deus lhe deu,
Que um dia todos parassem para lembrar,
Que não estamos aqui para magoar ninguém,
Todos são enviados por uma causa,
Que a vida não é passageira,
Somos nós que a fizemos corriqueira,
Se um dia resolver levantar e não pensar em maldade,
Levante a mão e ore, pois com certeza seu coração amoleceu,
Sentindo-se assim, pode ter certeza que seu dia esta salvo,
Gostaria de dizer que o mundo é perfeito,
Somos-nos a continuidade dele, depende de nos aperfeiçoar.
Neuza Rodrigues Ferreira.

O CONHECIMENTO - Jair Lisboa


"POETAR" 4/2013
02.02
 
 
Jair Lisboa
O CONHECIMENTO

 Ninguém é completo por mais que seja experiente, nem ninguém é vazio que não tenha um pouco dele, o saber rompe as fronteiras do infinito, o mundo é uma escola, ser humilde é ser nobre para todo aprendizado, cada passo gradualmente engrandece a caminhada, o livro da vida está aberto para todos, o conhecimento deságua nas margens da consciência humana, saiba usa-lo para se desenvolver no universo dos aprendizes...

 IIIIIIIIII:JAIR LISBOA:IIIIIIIIIIIII

" Quem tem 'receios'/ São 'putas',/ Eu sou poeta. '' - Tiago Correia

"POETAR" 4/2013
02.02



Tiago Correia
‎" Quem tem 'receios'/ São 'putas',/ Eu sou poeta. ''
 
I




Me mandaram um abraço,

Mandei o abraço ir

Embora.



Não quero o braço

muito menos

A-BRA-ÇO.



Quero a metade do coração,

Um terço do corpo,

Um pouco do sexo,

E todos os beijos.



Não quero estar só na noite ( isso me cansa )

Quero amanhecer na cama.

Quero beber o café

Cuado na calcinha.



II



Me mandaram ir pro 1/5

Dos Infernos,

Não sei onde fica,

Mas vou se for preciso.



Quero estar lá

Pra quando você e seu abraço
Chegar,

Eu poder te amarrar

No meu peito

Pra que vocês fiquem protegidos

Do diabo que nos rodeia.



O diabo
Ambiciona meu corpo
O diabo
Ambiciona muito mais o seu.


III



Me mandaram

Um abraço.



Mandei que fosse

Pra puta que pariu.



Não tive medo

De perder

O cabaço dessa

Po-e-sia pentelhosa.



Falta-me receios,

Quem tem 'receios'

São 'putas',

Eu sou poeta.


(...)

Meu amor sabe

Que as 'putas'

São as melhores

Coisas do mundo.
 
 

SOU LOUCURA - Marco Antonio Alvarenga


"POETAR" 4/2013
02.02




Marco Antonio Alvarenga

SOU LOUCURA

Sou terra e mar, sou pó e vento, sou poeta encantador,
Sou sorrisos, sou riso, sou o céu estrelado, as
nuvens de um céu nublado.
Sou cria e criatura, sou um homem sempre à procura,
sou pai, também sou filho, sou o tio engraçado,
o avô palhaço, sou amante, sou amigo o eterno namorado.
Sou pecado e pecador, a carne, a matéria,
sou lágrimas dos seus olhos, o sangue da artéria,
sou vilão e o honesto, sou o amargo que detesto.
Sou a razão e a vida, sou livre, sou forte, o pássaro e o
leão, sou as vezes um , sou um camaleão.
Sou a cura e a ferida, sou remédio, sou a
maldição do seu tédio, sou só e único, sou o fogo que arde,
sou a geleira que queima, sou difícil de se entender,
sou eu a enlouquecer!

Marco A. Alvarenga
 


LUA CHEIA - Amélia Amado

"POETAR" 4/2013
02.02

 
 
Amélia Amado

LUA CHEIA

Gosto da lua
Quando há noite saio há rua
Um banho vou tomar
De maresia e luar

Tu Lua
tanto me fazes sonhar
Espero que as nuvens
Te deixem me alumiar

Gosto da lua cheia
Com seu ar bonacheirão
Em ti encontro
A minha inspiração

Muito se tem escrito
Muito se há-de escrever
Encerras mistério lua
Ninguém consegue saber

Amélia Amado
5/1/2013

Eu Amo Portugal - Telmo Rolo

"POETAR" 4/2013
02.02



Telmo Rolo

Eu Amo Portugal

Vamos brindar
ao meu Portugal,
Vamos todos cantar
um fado alegre, sem igual

Vamos num bonito jogo de futebol
Entre o povo português
Mostrar ao mundo
tudo o que de belo tu vês

O galo de barcelos vai cantar
o cavalo lusitano vai saltar
Uma bela tourada vai começar
Nas belas praias vamos mergulhar
Com Ronaldo e Mourinho a falar
A memória de Amália vai ecoar
Os ranchos vão dançar
Os poemas de Camões e Pessoa vamos recitar
Nos verdes campos Eusébio e Figo vão continuar
E nós pelos mares vamos navegar
Para a nossa história relembrar

De norte a sul
muito há a descobrir
Um lindo país para mostrar
e daqui ninguém vai sem vir
E sem um lindo país levar
Para sempre recordar
O meu lindo Portugal
Que para sempre vão amar!
 
Poema de Telmo André B. Rolo

A alma que peca - Paulino Vergetti Neto

"POETAR" 4/2013
02.02



Paulino Vergetti Neto

A alma que peca

Minha alma recita os milagres
da prece dos santos dos dias,
além duma igreja tão cheia
pousa de anjo numa sacristia.

Coitada da alma que tenho
sem sorte, sem fé, sem valia,
além dos milagres que conta,
tem perto o inferno das vias,
leva meu passo apressado
ao mundo das almas vadias.

Por isso não peco assustado,
é mão, contramão minha vida
e se o pecado a mão deixa lívida,
meus olhos transbordam alegria.

WWW.paulinovergetttineto.com.br

É UM POEMA LINDO (...) - Severino Moreira

"POETAR" 4/2013
02.02




Severino Moreira

 
‎///

É UM POEMA LINDO
AQUELE QUE NÃO ALCANÇO MAS SINTO
NESTA HORA MORNA DAS DUNAS SUADAS.
.
OS VENTOS ABANAM AS EMBARCAÇÕES
E EU VOU
.
EU VOU
PROCURANDO O NADA
.
SEGUINDO O INFINITO!

QUIMERA - Rita De Cássia Tiradentes Loures


"POETAR" 4/2013
02.02



Rita De Cássia Tiradentes Loures

QUIMERA

Estúpida quimera que me invade
E tomando de assalto o coração
Traduz ao mesmo tempo a decepção
Trazendo tão somente esta saudade

Que tanto me maltrata enquanto brade
Dizendo das torturas que virão
Caminhos tão diversos mostrarão
A quem tanto se deu à ansiedade.

Futuro se embaralha sob os olhos,
Os pés espezinhados e os abrolhos
Que agora dominaram meu jardim

Deixando tanta dor onde eu quisera
Palavra mais sutil em voz sincera,
Matando o que inda existe dentro em mim.



LOURES

AGRICULTOR DE ESTRELAS - José Luiz Santos

"POETAR" 4/2013
02.02



José Luiz Santos



AGRICULTOR DE ESTRELAS

Semear e cultivar estrelar
é tarefa de agricultor atento
e exige delicada atenção;
primeiro, com o solo,
para, no universo infinito,
encontrar a apropriada gleba;
buscar o melhor adubo:
poeira cósmica,
fragmento de cometas
e ventos solares;
proteger da atração fatal
de buracos negros
e das chuvas de meteoros. . .

Ao final, na hora da colheita,
encomendar uma noite muito escura,
sem lâmpadas acesas nas ruas,
ou, no céu, brilho da lua,
para que se possa vê-las,
as recém nascidas estrelas,
em êxtase,
nuas! . . .

- por JL Semeador, o José Luiz de Sousa Santos, em 29/01/2013, na Lapa)

http://www.youtube.com/watch?v=Y9QxaJLt7EA

{De passagem} - Sandro Pinto

"POETAR" 4/2013
02.02
 
Sandro Pinto

‎{De passagem}

Uma árvore com flores vermelhas
Se permite ser parcialmente enquadrada
Junto ao vértice da minha janela

A vidraça tem formas livres
Marcas d'água voláteis
Desenhos volúveis
Afluentes voltaicos

Um par de rolinhas se enamora
Ou disputa espaço em movimentos bruscos
Imprevistos
Sobre a trave do poste

As gotas, aos poucos,
Se aderem às folhas como se não fossem alheias
Ou estranhas às superfícies verdes enervadas

São metades de bolhas de sabão sobre aros
Em suspiros despropositados

A memória
Minha antiga companheira dos fins de tarde
É mímica de fatos
Foto de corpos em movimento

Ela mesma me ri
Me acena
Me convoca
Me conforma
Me matiza
Mimetismo.

29/01/2013

EU TE AMO, QUERIDO! - Sol Figueiredo

"POETAR" 4/2013
02.02



Sol Figueiredo

EU TE AMO, QUERIDO!

E m versos e flores nesse jardim,
U m lindo buquê de amores nascendo...

T odo dia, a cada poesia...cantas e' mim!
E ncantamento enebria e vai envolvendo...

A mor que cresce em nós a cada dia, assim:
M ar de amor que já nos faz marinheiros!
O lhares d' desejos, lampejos sem fim...

Q uão beijos... nascem amores verdadeiros!
U niverso só vê nosso sorriso...
E strelas conspiram a nosso favor...
R aios de luzes vão nos iluminar...
I nvadindo nós dois, sem ter aviso...
D o firmamento até esse pleno amor...
O dia anuncia: - Estrelas hão d' brilhar!

Soneto Acróstico, monostrófico.

© SOL Figueiredo
29/01/2013 – 18:50h

Centauro - Francisco Settineri

"POETAR" 4/2013
02.02

 
 
Francisco Settineri

Centauro

Indaga os céus a ímpia mão que afronta
Dos cascos decididos o eco forte
Ao escapar do desnorteado corte
Que a adaga lhe prepara como conta.

Discípulo do olhar que sério ensina
A desprezar a lassidão travada
Deteve a emoção desenfreada
No inerme caos da inóspita ruína...

Da vastidão o nítido consorte
Sucede ao nímio ardor pela aventura
Insânia e temporal que não têm cura
Cravado ao nervo o aguilhão da morte!

Ginete do atropelo em campos vastos
Coberto de altivez nessa amplitude
Impacto e explosão, eis que amiúde
Espalham-se ao luar os pelos bastos...

Então ele se avulta no tormento
Que é, na busca que a si mesma gera,
Seguir o rasto dessa escura fera
Memórias apagadas pelo vento...

Francisco Settineri.

http://poesiaportoalegria.blogspot.com.br/2013/01/centauro.html

O desconsolo das almas" - Zé Loureiro

"POETAR" 4/2013
02.02
 
 

 Zé Loureiro


"O desconsolo das almas"

Desnudas do corpo, as almas,
sem seus exalos carnais,
vogando nas nuvens alvas,
de tédio lançam seu ais.

Miram do alto o que foram,
as vivências mais ousadas,
e as não tê-las deploram,
porque delas amputadas.

Como era bom o prazer,
que se soltava do coito,
ou doutros modos de o ter.
aquando de sexo afoito.

Como era bom o beijar,
alguém que muito se amava,
sentir seu corpo a vibrar,
quando do beijo abraçada.

Como se amava o olhar,
quando se via cruzado,
e que levava ao corar,
se de um amor partilhado.

Como se amava viver,
sentir o seu dia a dia,
amar e também sofrer,
ao sabor da fantasia.

Pobres almas, desoladas!
Em desconsolo a sofrer,
porque ad eternum castradas,
do que lhes dava prazer.

SAUDADE... - Evana Marlière

"POETAR" 4/2013
02.02



Evana Marlière


SAUDADE...
 

Saudade do verde,
do sorriso aberto,
dos braços, abraços,
do eterno e do incerto...

Saudade do vento,
brincando de leve
nos cabelos...
Saudades do não e do sim.
Saudades de mim...




 (Evana Marlière)

Ah! Teu corpo!... - Airton Ventania

"POETAR" 4/2013
02.02



Airton Ventania

Ah! Teu corpo!...

Ondulando silente neste mar...
Entrego-me absorto; amortecido...
Tua pureza invade o meu luar...
Adoro teu corpo todo despido...

Ah! Teus cabelos!... Afáveis... serenados!
Os fios do alvor; – puro e viçoso!--
Perco-me neste mar tão airoso.
Ah! Teu corpo!... Inteiro... sobrenado!...

Amo tua pele, pura; – divina!...
Beleza exemplar; — Ah, menina!...
Neste leito não tarda teu ensejo.

Sobre formas infindas, tão lindas!..
Amo-te, amo-te... Não perco a vinda...
Rendo-me ao gosto do teu beijo!...

(Airton Ventania)

TEU CORPO - Vilmar Costa

"POETAR" 4/2013
02.02



Vilmar Costa
‎__________TEU CORPO___________

Meu corpo insaciado quer teu corpo,
Pois de saudades tuas se alimenta.
E todo meu prazer quer a luxúria
Que teu desejo torna mais sedenta.

Eu abro no meu tempo mais espaço
Pra desfrutar de ti, cada segundo.
Eu posso então fazer, por vários dias,
Contigo, o amor mais denso e fundo.

As noites que, sozinho, hoje eu passo
Transformam meu viver em algo triste.
Meu corpo rola em si, insatisfeito
E ter teu corpo aqui, pra mim, insiste.

Meus abraços ansiosos te aguardam,
Cansados de de abraçarem tua ausência.
Na cama, tão gelada e tão vazia,
Do teu me sussurrar tenho carência.

Não nego pra mim mesmo que eu te quero,
Pois nem com minhas mãos me satisfaço.
Somente a tua pele junto à minha,
Fará meu gozo ser o mais devasso.

Meu corpo quer fazer contigo hoje
Aquele louco amor que bem nos liga:
Meus olhos, sem pudor, te desejando...
Enquanto a nudez em ti, me instiga!

Vilmar Costa

Recorte - Raimundo Lonato

"POETAR" 4/2013
02.02




Raimundo Lonato

Recorte

re post
in post

... {não poste}

encoste:

braços
pernas
dedos

(corte)

aposte
no ar

voam
palavr

as

....ou

vem

o

sol.

Quero avançar, quero progredir! - Jovita Capitão

"POETAR" 4/2013
02.02





Jovita Capitão
Quero avançar, quero progredir!

Quero avançar,
quero progredir,
a solução encontrar
para não cair.

Aqui estou eu
mas quero ir mais além.
E tu que estás aí
de que estás à espera?
Vem!

Vem comigo!
Vamos em frente!
A vida é isto!
A vida é gente,
é movimento,
é criatividade,
é amizade,
é alento,
é vaidade ,
é ter em mente
que não há idade.

Jovita Capitão,

http://rainhadasinsonias.blogspot.pt/2013/01/quero-avancar-quero-progredir.html

VOO NOTURNO - Leny Mell

SEGUNDO LUGAR EXEQUO
"POEMA DA SEMANA" 4/2013
01.02

 
 
Leny Mell



 
VOO NOTURNO

O voo noturno
segue cego.
Não vejo nada,
não nego.
Não nego a névoa envolto
de tudo.
Não me deixando ver
a cor do meu mundo.
Preciso da aurora,
do meu mundo cor de rosa.
Preciso ver através da névoa,
ver do outro lado da rua,
minha alma nua.
Tirar as raspas de vida
que sobrou.
Os espinhos dos gravetos.
Fazer deles um soneto,
estancando onde sangrou.
E este soneto,
que transformo em dueto,
nas vozes de barítonos e tenores.
Me transportam meus senhores,
para um mundo de sons e cores.
Clareando o meu dia,
me pousando na aquarela.
Lembrando que minha vida,
tem as cores dela.

(Leny-Mell)

LUTO - Francisco Costa

VENCEDOR EXEQUO
"POEMA DA SEMANA" 4/2013
01.02

 
 
 



 
Eu choras
Tu choras
Ele choras
Nós todos choramos em ti,
Pai, mãe que assistiu
o filho saindo para sorrir
a filha saindo para sorrir
sem poder jamais imaginar
que o que seria festa
se faria luto, luta tua
para não morrer junto.

Triste enterrar um filho
Quando tão filho ainda
Ainda menino
Ainda menina
Trôpego no caminho da vida.

Mais triste se de morte vil
Sem motivo para justificar.

Nenhum vírus nem bactéria
Ou fenômeno natural,
 Menos pela pátria
Num campo de batalha.

A fuligem e a fumaça no céu
São dos escombros
E não da consciência
Dos responsáveis.

Agora nenhuma lágrima
Será bastante
Para compensar a dor.

Agora só o silêncio.
O silêncio dos pais,
Mortos pela metade.

O silêncio
Dos filhos e filhas,
Mortos de verdade
De sorrisos e de corpo.

E o silêncio
Dos espíritos de porco
Calados, contabilizando
Lucros de portaria e consumo.

 
 
Francisco Costa
Rio, 27/01/2013
 

Por te amar - Anderson Gouvêa

TERCEIRO LUGAR EXEQUO
"POEMA DA SEMANA" 4/2013
01.02


 
 
 
Anderson Gouvêa



 
Por te amar

Por te amar,
Em vez de chorar,
Preferi lutar,
Conquistar-te numa vitória justa,
Onde o premio era seu amor:
Mesmo se tivesse perdido,
Pelo menos teria buscado,
O sonho um dia sonhado.

Por te amar,
Fiz-me menino,
Para aprender com os sábios,
Como tratar uma mulher,
Por isso quando vier,
Não se espante,
Pois a parte ignorante
Partiu pra não voltar.

Entre os grandes,
O mais belo aluno,
Pois apenas queria compreender
Como um coração pode dizer:
Deixa-me amar por amar você.

Por um tempo o silêncio,
Pois ouvi uma porta sendo aberta,
E um Pássaro Branco entrando por ela.
Então percebi que não foi por ter amar que amei,
Mas te amei quando comecei a querer viver.

Então reconheci que meus tesouros eram tão poucos,
Que quase tudo que tinha,
Em pouco tempo enferrujaria.
Mas ouvi falar de um que é eterno,
Por isso peguei o meu caderno.
E o mais belo aluno perguntou ao professor:
Onde compro esse tesouro tão precioso
Que receberei depois da minha partida?
O senhor sabe que me roubaram,
Levando quase tudo que tinha,
Que quando cheguei aqui,
Minha mala estava quase fazia.
 

Meu professor chorando respondeu:
Não compreendeu ainda,
Que por ser doado o tesouro não pode ser comprado?
Por isso minha criança,
Lembre-se sempre quando vier alguém pedindo,
Mesmo que seja rico, pobre, ou mendigo...
Que de graça recebeu.

Por isso lembrei do céu mais lindo.
Fiz um pedido:
Que podemos sempre estar sob as asas do amor,
Assim quando vier à tempestade,
Não seremos atingidos,
Pois estaremos protegidos,
Por um Homem que tem olhos de menino.

E por me amar te amei.
Lutei.
Conquistei.
Hoje tenho quase tudo que sonhei.

Autor: Anderson Gouvêa
Livro: Retratos

A linguagem dos olhos - Geane Masago

TERCEIRO LUGAR EXEQUO
"POEMA DA SEMANA" 4/2013
01.02


 
 
 
Geane Masago



 
A linguagem dos olhos
 


O repouso pro meu desalento
é avistar o mar.

É saber que o seu olhar,
de lá de longe.

De bem longe,
procura o meu!


 

 Geane Masago
(27-01-2013)

Toque - Enide Santos

"POEMA DA SEMANA" 4/2013
01.02
Menção Honrosa

 
 
Enide Santos


Toque

Você pode tocar
De todas as formas possíveis
Que o toque pode lhe proporcionar

Mas somente será pleno
Quando realmente for sentido
Da forma que o toque for oferecido

Não é algo fácil de realizar
Porque a sintonia tem que encaixar
Na transferência do sentir
A perfeita captação tem que existir

Enide Santos 01/02/13

ABRI AQUELA JANELA - Joaquim Barbosa

"POEMA DA SEMANA" 4/2013
01.02
Menção Honrosa


 
 
 
Joaquim Barbosa


ABRI AQUELA JANELA

Abri aquela janela
Que dá vistas para o mar
Fiquei a olhar através dela
Os barcos a atracar.
Barcos de todos tamanhos
De trabalho e de passeio
De trabalho eram castanhos
De outras cores, os de veraneio.
Vi chegar o barco do amor
Com gente de qualquer idade
O que atesta com rigor
Que o amor tem longevidade.
Alonguei o olhar pelo horizonte
Vasto areal até perder de vista
Pareceu-me alguém a olhar defronte
Assim o apanhei de forma imprevista.
Peguei os binóculos para me certificar
E lá estava uma bela mulher
Através dos binóculos trocamos um olhar
O que ela queria quis saber.
Saí da janela e fui ao seu encontro
Andei quilómetros ao som das ondas do mar
Aproximei-me devagar até ao recontro
Que me apaixonei ao primeiro olhar.

Joaquim Barbosa

- amar é sempre - - José Luiz Santos

"POEMA DA SEMANA" 4/2013
01.02
Menção Honrosa






José Luiz Santos




- amar é sempre -

amar é agora
é antes
é depois
é sempre
é a toda hora
é de trás pra frente
é da frente pra diante
é ao nascer da aurora
é no calor da noite
é no claro do dia
é sempre que me lembre
é toda vez que esqueço
é o que esforço não meço
é a vida em pleno delírio
é o fluir de um rio
é a beleza da foz
é o aroma de uma flor. . .

. . . e quando o céu nos chamar
que o nosso último suspiro
seja, ainda, uma forma de amar. . .

( por JL Semeador, o José Luiz de Sousa Santos - agora, o1/02/2013, inspirado num poema de meu amigo e poeta português, Mario Sampaio)

http://www.youtube.com/watch?v=G_1BCkW-yTc


NAUFRÁGIO - Ianê Mello

"POEMA DA SEMANA" 4/2013
01.02
Menção Honrosa
 
 




Ianê Mello
Meus Poemas (Janeiro/2013)
 


NAUFRÁGIO

Ousou amá-la como quem ama sem fronteiras
despindo-se do medo de entr...egar-se
Ousou amá-la como quem ama sem pressa
içadas as velas em mares profundos navegou

Ousou amá-la mais que tudo e além
abandonando-se ao encanto de pertencer
Ousou amá-la e por amá-la tanto
olhos em pranto assistiu sua partida


Ianê Mello

(22.01.13)

*

Pintura de Alex Alemany

___________________
Labirintos da Alma
http://labirintosdaalma.blogspot.com.br/2013/01/naufragio.html


Eternamente criança - Heleno de Paula

"POEMA DA SEMANA" 4/2013
01.02
Menção Honrosa






Heleno de Paula


Eternamente criança
Heleno de Paula

Como é belo envelhecer...
É divino poder desfrutar o dia a dia.
Errar para aprender e os acertos ensinar.
Compartilhar as vivências só pedindo luz no caminhar.
Aos ouvidos de Deus, ser uma doce melodia.
O valor moral é o próprio respeito pela vida,
E ele juntamente com o amor faz o alicerce da família,
E essa por sua vez é a base de tudo.
Com ela não existem adversidades insuperáveis.
Como é bom envelhecer...
E ver que tudo que foi ensinado por nossos pais foi providencialmente importante,
Principalmente a colocar vírgulas para respirar nas linhas da vida.
Respirar, pausar, elucidar o pensamento e agir.
Isso sim é de suma importância, dar movimento ao pensamento,
Colocar em prática cada planejamento, cada sonho, cada pequeno desejo...
Aos olhos de Deus ser a virtuosa formiguinha das historinhas infantis.
Ser eternamente uma criança, mesmo aos olhos dos nossos filhos.

http://poesiasdoheleno.blogspot.com.br/2013/02/eternamente-crianca.html


Cruz e flor - Elian Vieira Silva

"POEMA DA SEMANA" 4/2013
01.02
Menção Honrosa

 
 
Elian Vieira Silva



Cruz e flor

É você...que faz nas manhãs inesperadas
Pulsar descompassado e sem rítmo
Meu coração desgovernado
Quando vem, sem aviso me amar

É você...que vira minha cabeça
E me faz sentir vibrar a vida
Na loucura dos desejos
Quando me enlaça e me domina

É você...doce inspiração
Que me faz voar na imaginação
Indo do inferno da tua ausência
Ao céu da tua deliciosa indecência

É você...que me conduz e me seduz
Nos caminhos desse amor
Por vezes cruz, por outras, flor
Quando me abraça ou se afasta

É você...quem me completa e faz de mim
Gente que vive intensamente
Pelo simples fato de viver
Na eterna espera de ter você...

(Nane-01/02/2013)