Os Nossos Amigos

Etiquetas

A VOAR NA POESIA (5) A) (6) Alessandra Brander (7) Alvaro Sertano (3) Ana Stoppa (25) Anderson Gouvêa (18) Antonio Anjes (11) Antonio Carlos Gomes (39) António Patrício (6) AQUELE POEMA (Gerlane Fernandes) (18) ARTE (6) AUTORES NA ANTOLOGIA VOAR NA POESIA (339) Barbara Nunes Guarany Kaiowá (46) Bosco da Cruz (10) Bruno Junger Mafra (22) CARD DA SEMANA (447) Carlos Lobato (9) Carlos Manuel Alves Margarido (48) Carmem Teresa Elias (5) Céu Pina (34) Claudemir Geronazzo Mena (21) Claudia Salles (11) Cleody Virgínia Silveira (1) Conceição Oliveira (9) CONCURSOS DE POESIA (1) Cris Anvago (19) Cyda Lyra (26) DECLAMAÇÕES-canções-etc. (12) Denise Alves de Paula (50) Dennys Távora (5) DESGARRADA POÉTICA (4) Dilma de Caboclo (12) Dulce Morais (18) Edleuza Nogueira Fonseca (18) Edson Moreira Costa (7) Elian Vieira Silva (13) Enide Santos (67) Eugenia Silveira (5) Fátima Abreu (Fatuquinha) (5) Felipe Rey Rey (12) FELIZ NATAL (46) Fernando Figueirinhas Nana (Naná) (21) FILHOS de Amigos (15) Flávia Marques (5) Flávio Castorino [FlaVcast] (3) FORMATAR (262) Francis Raposo Ferreira (10) Francisco Costa (46) Francisco Settineri (6) Freddy Diblu (13) Geane Masago (78) Gilberto de Almeida (2) Gilberto Wallace Battilana (6) Guria da Poesia Gaúcha (4) HAIKU - HAIKAI pela IMAGEM (6) Imara Ione Vieira (64) Irá Rodrigues (45) Isabel Lucas Simões (9) Jair Francisco da S. Junior (4) Jair Lisboa (7) Janaina Cruz (9) João Raimundo Gonçalves (jrg) (7) Joaquim Barbosa (14) Jonas R. Sanches (25) José Alberto Sá (13) José Carlos Moutinho (3) José Manuel Cabrita Neves (47) Jussara Marinho (18) Kondor My (3) Laisa Ricestoker (43) Leny Mell (41) Leyla Denyse (27) Lilian Reis (12) LIVROS DE POESIA (ALFARRABISMO) (62) Lúcia Polonio (31) Luciana Saldanha Lima (14) Luly Diniz (3) Magda Lopez (27) Marah Mends (4) Mari Alves (51) Maria C. Batista (83) Maria Elisa Ribeiro (24) Maria Helena (12) Mary Rosa (33) Menções Honrosas (339) Miriam Lorente Rodrigues (13) Moacir (23) Neidinha Borges (26) OFICINAS-WORKSHOPS-ETC. (1) Oswaldo Genofre (7) Paula Lourenço (6) Paulo Henriques Frias (7) Paulo Ras (4) POEMA DA SEMANA (68) POEMA TEMÁTICO (20) POESIA (1061) POESIA PARA CRIANÇAS - GRUPO (22) POETA DA SEMANA (4) POETAR (204) PRÉMIO VOAR NA POESIA. (33) Profª Fatuca Silva (8) QUEM É? (37) Rafael Silvestre (6) Renata Bicca (4) Rita Pinho (59) RÓ MAR (54) Rosa Ralo (7) Rosane Ramos (3) Rosiane Ceolin (6) Rudi Ceu (4) San Art's (15) Sérgio Lizardo (9) Silvia Dunley (2) Silvia Regina Costa Lima (4) Sol da noite (45) Sol Figueiredo (13) Solange Moreira de Souza (28) Sulamita Ferreira Teixeira (15) Teresinha Oliveira (Terê Oliva) (54) Valdecir de Oliveira Anselmo (35) Valter José Guerreiro (7) Vitor Moreira (14) VOAR NA POESIA - Aniversários (4) Vrs Palegre (19) Wilma Langer (26) Zé Loureiro (9)

Desde 17 de Agosto 2012

quarta-feira, 24 de abril de 2013

NAU CATRINETA - Almeida GARRETT (1843) versus NAU CATARINETA - Maria Peregrina de SOUSA (1856)






NAU CATRINETA

Lá vem a Nau Catrineta
Que tem muito que contar!
Ouvide agora, senhores,
Uma história de pasmar.
Passava mais de ano e dia
Que iam na volta do mar,
Já não tinham que comer,
Já não tinham que manjar.
Deitaram sola de molho
Para o outro dia jantar;
Mas a sola era tão rija,
Que a não puderam tragar.
Deitaram sortes à ventura
Qual se havia de matar;
Logo foi cair a sorte
No capitão general.
- “Sobe, sobe, marujinho,
Àquele mastro real,
Vê se vês terras de Espanha,
As praias de Portugal!”
- “Não vejo terras de Espanha,
Nem praias de Portugal;
Vejo sete espadas nuas
Que estão para te matar.”
- “Acima, acima, gageiro,
Acima ao tope real!
Olha se enxergas Espanha,
Areias de Portugal!”
- “Alvíssaras, capitão,
Meu capitão general!
Já vejo terras de Espanha,
Areias de Portugal!”
Mais enxergo três meninas,
Debaixo de um laranjal:
Uma sentada a coser,
Outra na roca a fiar,
A mais formosa de todas
Está no meio a chorar.”
- “Todas três são minhas filhas,
Oh! quem mas dera abraçar!
A mais formosa de todas
Contigo a hei-de casar.”
- “A vossa filha não quero,
Que vos custou a criar.”
- “Dar-te-ei tanto dinheiro
Que o não possas contar.”
- “Não quero o vosso dinheiro
Pois vos custou a ganhar.”
- “Dou-te o meu cavalo branco,
Que nunca houve outro igual.”
- “Guardai o vosso cavalo,
Que vos custou a ensinar.”
- “Dar-te-ei a Catrineta,
Para nela navegar.”
- “Não quero a Nau Catrineta,
Que a não sei governar.”
- “Que queres tu, meu gageiro,
Que alvíssaras te hei-de dar?”
- “Capitão, quero a tua alma,
Para comigo a levar!”
- “Renego de ti, demónio,
Que me estavas a tentar!
A minha alma é só de Deus;
O corpo dou eu ao mar.”
Tomou-o um anjo nos braços,
Não no deixou afogar.
Deu um estouro o demónio,
Acalmaram vento e mar;
E à noite a Nau Catrineta
Estava em terra a varar.

(Almeida Garrett, Romanceiro) (1843)





NAU CATARINETA

Desta nau Catarineta
Dela vos quero contar:
Anos sete e mais um dia
Sempre na volta do mar;
Já não tinham que beber,
Já não tinham que manjar;
Solas puseram de molho,
Para esse dia jantar;
Mas as solas eram rijas,
Não as puderam rilhar,
Botaram sortes a todos
Qual se havia de matar,
Logo a sorte foi cair
No capitão dom Gaspar.

Capitão:

Acima, gajeiro, acima...
Àquele topo real,
Mira se enxergas Espanha,
Ou terras de Portugal.

Diabo:

Não vejo terras de Espanha
Nem areias de Portugal;
Vejo só espadas nuas
Para matar-te sem al.

Capitão:

Acima, gajeiro, acima...
Àquele mastro real.
Mira: Vês terras de França
Ou praias de Portugal?

Diabo:

Já vejo terras ao longe
E praias de Portugal;
Mais enxergo três meninas
A folgar num laranjal.

Capitão:

Filhas minhas elas são;
Oh! quem mas dera abraçar!
Se numa lancha, ligeira,
À terra me vais levar,
Com a mais formosa delas
Prometo de te casar.

Diabo:

Eu não quero a filha tua
Que te custou a criar.

Capitão:

Dar-te-ei tanto dinheiro
Que o não possas contar.

Diabo:

O teu dinheiro não quero,
Que te custou a ganhar.

Capitão:

Cavalo branco te dera
Em que pudesses campar,
Ou a nau Catarineta
Para correres ao mar.

Diabo:

Não quero cavalo branco...
Não gosto de cavalgar;
Nem a nau Catarineta...
Leve a breca o navegar!
Só prender a tua alma quero
Para comigo a levar.

Capitão:

Arrenego-te, diabo,
E a tua palavra ousada!...
A minha alma é só de Deus
O corpo d'água salgada.

__________________

Estoira e foje o diabo.
Quando viu a cruz da espada.
Breve a nau Catarineta
Chega à terra desejada.


Maria Peregrina de Sousa (1856)
in PÁGINAS DESTE MUNDO-CASTRO Faria (1954)


O famoso poema “Nau Catrineta”, de Almeida Garrett, é uma lenda por si recolhida, própria de um país de marinheiros, virado ao mar e ao mundo, como a do Adamastor, dos monstros marinhos e tantas outras. A segunda versão melhorada e acrescentada por Maria Peregrina de Sousa éra à época uma cantiga popular que apresenta uma assaz e pitoresca versão, construindo animado interlóquio entre o capitão da nau e o Diabo na figura de gajeiro.
Do original fazemos a seguinte sinopse:
Consta que relata a história da viagem da nau portuguesa que transportou Jorge de Albuquerque Coelho de Olinda para Lisboa, em 1565, o qual a contava, já idoso, sentado de frente para o mar, junto dos amigos.
Perante a desventura da nau perdida no mar alto há já um ano, esgotadas as provisões e sem nada mais para a tripulação comer, foi justamente ao capitão general que veio a calhar uma triste sorte:
“Deitaram sortes à ventura
Qual se havia de matar;
Logo foi cair a sorte
No capitão general.”
A sorte do sacrifício tinha caído sobre ele, como confirmou a visão do marujinho:
- “Não vejo terras de Espanha,
Nem praias de Portugal;
Vejo sete espadas nuas
Que estão para te matar.”
O protagonista prometeu então recompensas sucessivas ao marinheiro, subindo sempre a parada, de forma a evitar a sua morte sacrificial.
Começou pela filha, a mais formosa. Tinha outras duas e não lhe custava muito ceder uma delas, mesmo sendo a mais formosa, mas não resultou.
Depois subiu a parada e prometeu muito dinheiro, dinheiro sem conta. Mais difícil, mas ainda assim, a sua vida valia todo o dinheiro do mundo. Esta proposta também falhou.
Mais tarde é a vez de prometer o seu cavalo favorito, um animal inigualável. Algo de muito pessoal que lhe terá custado imenso prometer, mas tornava-se necessário de modo a evitar a morte. Nada feito.
Por fim, e já em desespero de causa, prometeu a própria nau, bem supremo de um marinheiro. E ainda assim nada conseguiu.
Repare-se que esta escala de valores tem muito que se lhe diga. Se a lermos ao contrário, o bem mais preciosos de todos, aos olhos do capitão general, seria a nau, depois o cavalo branco, a seguir as riquezas, e só depois a filha mais formosa. A parada foi sempre subindo até ao clímax da oferta da nau, bem mais precioso de um homem do mar.
O protagonista, prestes a cair na tentação do demónio, que então se lhe revela, de súbito, exigindo-lhe a alma como recompensa (depois de ter visto recusadas todas as ofertas), decidiu renegá-lo e lançar-se ao mar, entregando a alma a Deus:
- “Renego de ti, demónio,
Que me estavas a tentar!
A minha alma é só de Deus;
O corpo dou eu ao mar.”
O simples acto de renegar o demónio constituiu a chave para a sua divina salvação. Foi essa atitude que fez vir um anjo do céu, para o salvar do suicídio a que se dispusera a fim de fugir à tentação diabólica, num segundo momento (tal como da canibalização, num primeiro momento) no afã de preservar a alma para Deus.
Como se vê, trata-se de uma lenda gizada bem ao estilo da superstição religiosa da época.
Como todos os contos de encantar, este também teve um final feliz:
“E à noite a Nau Catrineta
Estava em terra a varar.”


Sousa (D. Maria Peregrina de).

n. 13 de Fevereiro de 1809.
f. 1868



Escritora, romancista e poetisa.

N. no Porto a 13 de Fevereiro de 1809 e falecida em 1868, sendo filha do comerciante António Ventura de Azevedo e Sousa, e de D. Maria Margarida de Sousa Neves.

Foi muito conhecida e considerada romancista e poetisa, mas as suas numerosas composições, que lhe granjearam repetidas aplausos e louvores de juízes autorizados, existem disseminadas em vários jornais literários e políticos, que desde 1842 começaram a tê-la a por colaboradora, tais como o Archivo popular, Restauração da Carta, Revista Universal Lisbonense, Iris, do Rio de Janeiro; Aurora, Pirata, Braz Tisana, Lidador, Pobres do Porto, etc. Alguns dos romances publicados nessas folhas, têm a assinatura de Uma obscura portuense, outros a de Mariposa, muitos com o nome completo, ou com as iniciais D. M. P. Em publicação separada, em 1859: Retalho do mundo, romance dedicado a António Feliciano de Castilho, o qual se compõe de 58 capítulos, que são os desenvolvimentos de outros tantos rifões, adágios e anexins populares, que lhe servem de títulos.  Na Revista Universal saiu as Superstições do Minho, de que se tentou fazer uma colecção separada, com uma introdução ou advertência preliminar pelo referido poeta Castilho, mas ficou interrompida logo na 1.ª folha, por causa das lutas politicas de 1846, e nunca mais continuou. Publicou em 1863, em Lisboa, o romance Rhadamanto ou a mana do conde; seguido do Roberto ou a força da sympathia; esta edição foi feita a expensas da sociedade Madrépora, do Rio de Janeiro, que estava então florescente e se destinava a proteger as publicações literárias e os escritores portugueses. Escreveu também algumas notas para a versão dos Fastos de Ovídio por A. F. de Castilho, nos tomos I, II e III. Na Gazeta de Portugal, de 1843, uma narrativa sob o título Um romance de Thomaz da Gandara. Na Revista Contemporanea de Portugal e Brazil, tomo III, Setembro, de pág. 273 a 312, vem publicada uma biografia desta ilustre escritora e poetisa, escrita pelo já citado escritor e poeta António Feliciano de Castilho. Notavél e muito apreciada na época a sua versão da Nau Catrineta de Almeida Garrett, por si melhorada e adaptada ao cariz popular.
 
www.bibliothequeduvalais.blogspot.com tem 1 exemplar de PÁGINAS DESTE MUNDO Viagens-Mùsica-Livros de Adolfo Faria de Castro (1954) (25€). Para adquirir ou saber mais sobre a obra mencione a intenção em comentários.

sábado, 20 de abril de 2013

LABIRINTO DE PALAVRAS um novo livro de Conceição Oliveira

 

Prefaciado pelo poeta Xavier Zarco LABIRINTO DE PALAVRAS é uma obra poética que se encontra dividida em três ciclos não completamente fechados: CATARSES -DAS SAUDADES … DOS AFECTOS - MOMENTOS E ESPAÇOS.

O título traz-nos, desde logo, uma ideia dual, um desígnio que a palavra em nós desperta: o Labirinto de Creta (onde existiu, segundo a mitologia clássica, um Minotauro sanguinário…e o estratagema de Ariadne para que o seu amado Teseu pudesse regressar, caso escapasse ileso do confronto com o monstro, um simples fio que o guiasse na saída…por outro lado, e, ainda, sob a égide da mitologia grega, podemos relembrar as personagens de Dédalo, o arquitecto e seu filho Ícaro, sendo este último, inclusive, referido no poema intitulado, justamente, ”Labirintos”).

Há ainda outras referências clássicas nos poemas “Em busca de Cnossos” e “Mar de Creta”.

O labirinto, então, como caminho inçado de paredes intransponíveis obrigando-nos a voltar atrás repetidamente, desorientando-nos e perdendo-nos. Metáfora perfeita, quase obrigatória, para a complexidade e as aporias da vida que frequentemente nos oferece, a par das alegrias e prazeres, sofrimentos incompreensíveis. Insuportáveis por vezes.

O pensamento e o sentir como labirinto onde nos podemos enredar, porque muitas das questões sobre a existência, a vida e a morte conduzem a becos sem saída, a mistérios paredes contra os quais não temos defesa. A ansiedade, a angústia e o sofrimento psicológico estão sempre no caminho deste “LABIRINTO”.

Os medos e as revoltas fazem-se sentir não só através de um Eu lírico mas também incidindo sobre preocupações alargadas aos males sociais, ao sofrimento alheio. (“Meninos de Rua”; “Aos Meninos do Silêncio”; “Campos vazios”; “Pássaros do vazio”;)

Podemos constatar ainda que existem nesta obra “laivos ideológicos” (“Cecília Sacramento”; “Catarina Eufémia”; “25 de Abril”; “1º de Maio”; “Este é o tempo”) entre outros.

Se por um lado se sente uma necessidade de exteriorizar a memória, dizendo-a através da palavra poética, organizando assim a matéria: sombras, escombros, ruídos, imagens…, num autêntico labirinto, por outro vai-se criando a precisão do voo, o sair dessa mesma criação.

Este movimento de saída está bem patente no ciclo com que a obra finaliza: “Momentos e espaços” tentando dizer que, ainda que partindo, esse instante é sempre um ponto onde urge regressar. A memória vai-se fazendo, reorganizando, assumindo-se como pedra basilar dos poemas. É pois uma construção de memória, em tempo real, psicológico ou fictício, da própria poetisa ou da sua imaginação. Tanto faz a quem lê. Não carece dessa informação, antes precisa de entrar por entre as palavras e descobrir essas pedras que ergueram o LABIRINTO onde as asas se escondem…

 

Conceição Oliveira

 
 
 
 
 
LABIRINTOS

 

Soprava o vento

Era o Sul

Agreste, sibilante

Tempestade vacilante

 

Mau tempo anunciava …

 

Acesa a discussão

Mergulhámos

Em ruas de podridão

E perdemo-nos…

No vazio

Dos labirintos

De Ícaro

Iniciámos o caminho

Da solidão

A sombra

De paixões acontecidas,

Na volúpia do passado

Reciclámos.

 

E foi Assim, que,

Nos labirintos

Da saudade

De carícias esquecidas

E do amor cruzado

Voltámos...

 

Conceição Oliveira in “LABIRINTO DE PALAVRAS”

 
 
 

AMANHECER NA DISCÓRDIA…

 

Sempre que amanhece

Em tempos de discórdia

A luz incerta do dia

Reactiva as dores da véspera

Folheando as palavras

Esquecidas

Na diáspora

Proferidas

Num lamento,

A manhã

Apodera-se dos meus ais

E toma o teu lugar

Os sorrisos

Que fertilizavam a memória

Na ferocidade do tempo

À passagem dos vampiros

Embalam-me o pensamento

E a manhã assimila

E comove-se

Do meu lamento.

 
 
 

CARLOS LOBATO um autor presente na ANTOLOGIA VOAR NA POESIA


Carlos Lobato
VELAS

Um fosforo.
O cheiro do enxofre.
Uma chama.
Uma vela.
Um bailado.
Uma chama.
Um crepitar,
Tremulo,
O meu desejo.
O nosso silencio.
Dedos.
Pontas de dedos.
A pele.
Nua.
As paredes.
As sombras.
A luz tenue.
Os labios.
Os beijos.
Um bailado.
Um gemido.
Rugas do corpo.
Entrar em ti!
Um bailado.
O meu desejo.
O teu desejo.
Uma chama.
O cheiro.
Tudo.

30 MARCO 2013
 

JOÃO RAIMUNDO GONÇALVES (jrg) um autor presente na ANTOLOGIA VOAR NA POESIA


    João Raimundo Gonçalves
 
 
PROCURAM-SE VIVAS!...
**
procuro
uma ou mais ninfas que inspiradas
na arte de fixar actos d'amor
enquanto eu penso e as palavras furo
por entre rimas loucas afiladas
o seu pincel ou traço lhes dê a justa cor
*
quero encontrar
uma ou mais dessas musas fascinantes
olhar de fogo sorriso lascivo
que me pintem o fascínio de tanto amar
quando o poema alvo dos amantes
seja da cor e traço tão de tanto mais cativo
*
almejo
rever lindas Tágides subindo o grande rio
cantando as mágoas do amor
agitando meus versos com um doce beijo
colorindo o desejo a sangue frio
como quem pinta no sofrimento a própria dor
*
venham tão belas
cobertas tão só da mais pura poesia
sorrisos luz beijos de espuma
pintando palavras com brilho de estrelas
procuro no vento a fantasia
capaz de varrer para longe a triste bruma
*
quero a artista
capaz de pintar a alma do poema
onde as sílabas se entrelaçam
seguindo o rasto que deixo como pista
e me ajude a decifrar o teorema
que é o amor o sexo o beijo que tresloucam
*
doce louca orgia
que cada palavra provoca numa outra
sob o efeito do retrato desenhado
dar a sentir a paixão que se solta da magia
nada de obsceno que seja contra
a sensual devastação do fogo alastrado
*
há por aí alguém
que ouse desventrar no poema sua nudez
a preto e branco ou colorido
se for de arco-íris que venha também
se embrenhe em natural placidez
que o acto de amor encerra após vencido
 
 

PAULO HENRIQUE FRIAS um autor presente na ANTOLOGIA VOAR NA POESIA


Paulo Henrique Frias
Agonia Citá

Cresce a cidade,
decresce a idade
e a sensibilidade
vive à flor da pele.

Aumenta o barulho
aumenta a fumaça,
de trago em trago
vamos indo embora.

Há antipatia de graça,
ausência de calma na correria.
A hora é, infelizmente, agora
poucos são filhos da virgem Maria.

Acotovelam-se os silêncios,
debruça-se a impaciência.
Nasce o ovo da serpente,
a ignorância.
 
Surge a cidade excludente,
darwiniana.
Basta a espécie
demasiada humana.

Ganância,
vingança,
chuva ácida
e tâmaras.

Povo,
massa amorfa.
O inferno de Dante
emana!

DENISE ALVES DE PAULA uma autora presente na ANTOLOGIA VOAR NA POESIA.

Denise Alves de Paula

CÉU PINA uma autora presente na ANTOLOGIA VOAR NA POESIA


Céu Pina
À minha porta

Segredos...
Sinais escorrem da caneta,
Tinta remexe sequelas,
Caídas num pântano de desejos.
Abri-te a minha porta,
Em flecha de Amor.
Tuas mãos de seda,
Cobriram meus medos.
Sombra que bebeu o Sol,
Ancorei no teu cais,
Labirinto de atracção.
Choro a voz do silêncio!
Sou o que sobrou do tempo,
No olhar pedaços meus,.
Sobras de sonhos...
Corpo rasgado...
Em páginas vazias.
Despida de ilusão,
Vestida na voz de uma lágrima.
Olhos sãos pétalas ressequidas,
Dor em cinza de magoas.
Grito um rio de solidão,
Rompendo do meu corpo.
Peito, peso do mundo.
Soluços em som de fado.
Restos de chamas,
Mar profundo.
Sonho sepultado,
Chorando sobre o meu corpo,
Na despida,
À minha porta...
 
 

MARI ALVES uma autora presente na ANTOLOGIA VOAR NA POESIA


Mari Alves
Vem logo

Diz pra mim
Que me quer
Que será
Somente meu
Eu te quero
Te espero
Vem logo
Sem demora
Pode chegar
Qualquer hora
Estarei aqui
Pra você

 
 

IMARA IONE VIEIRA uma autora presente na ANTOLOGIA VOAR NA POESIA


Imara Ione Vieira
 
 

DULCE MORAIS uma autora presente na ANTOLOGIA VOAR NA POESIA


   Dulce Morais


Sentir

 

Melancolia
Saudade do que passou
Pungente sentir


WWW.CRAZI40BLOG.BLOGSPOT.COM

BRUNO JUNGER MAFRA um autor presente na ANTOLOGIA VOAR NA POESIA


   Bruno Junger Mafra



LUA CHEIA

Farol da noite
te amo
agradecido
por lembranças
descalças
canções de longe
formação de sonhos
à sua luz

Amo
seus pássaros
visíveis e claros
seus raios de cores
em fachos distribuidos
em noites azuis

Farol da noite
versos de amor
se formam
à sua sombra
e cristais dos beijo
s e íris mágicas
de olhos em sorrisos

Farol da noite
réstia de esperança
resgate de alegria
no escuro da vida
entrecortada
muitas vezes
pela ausência
das palavras

 

GEANE MASAGO uma autora presente na ANTOLOGIA VOAR NA POESIA


   Geane Masago

Absolvida

Não é preciso eu omitir
esse desejo louco
que trago que trago por ti
que me entorpece e me assanha.

Não me julgo.
Se sua boca me põe louca,
se sua língua me desliza inteira.

Se suas mãos leves e rudes
me roçam e crispam os pelos,
percorrem soltas sobre minha carne,
tocando-me toda neste meu corpo seu!

Não me condeno
se voce é o tudo
o que quero em mim.

Geane Masago
(19-04-2013)

 

sexta-feira, 19 de abril de 2013

CARLOS MANUEL ALVES MARGARIDO um autor presente na ANTOLOGIA VOAR NA POESIA


Carlos Manuel Alves Margarido
Tiras

Há um luar novo
Nesta sombra velha
O escuro engole as nesgas
Esfarrapadas de luz
Flutuam janelas
Vestidas de estrelas
Véus semiabertos
Nos rostos
Explode o foguete
Nos salpicos do aspeto
Palmas sorrisos nunca vistos
Redopiam as linhas da pele
Despem a verdade os corpos
Tudo se desfez um de cada vez
No pó que leva o tempo no vento
 
 

FERNANDO FIGUEIRINHAS um autor presente na ANTOLOGIA VOAR NA POESIA


Fernando Figueirinhas
TINTAS DUM PINTOR

Inconformado com a paisagem à volta,
Olho o tempo parado na tela em branco -
Pigmentos inertes espalhados na palheta
... Esperam o toque mágico do pincel.
...Alheio diverso invade-me a alma
Neste estar – pasmo da alma irrequieta,
Adverso ao meu querer...
Avanço, recuo e hostilizo a tinta por sair!
Vontade de ir – partir para um destino
Sem volta avança-me num ímpeto;
Incontrolável sorte lançada a destino incerto.
... Surgem figuras, abstrações de fantasiosa
Realidade, ocultas a meu desatento olhar,
Desafiam-me o jeito de nelas pensar.
Cravo na tela os pincéis desta vontade;
Mancho de tinta o branco da tela!

Fernando Figueirinhas

CLAUDEMIR GERONAZZO MENA um autor presente na ANTOLOGIA VOAR NA POESIA



Claudemir Geronazzo Mena
Acenos

Há em mim
um pressentimento
intuição branda velada
no meu sentir

Segredo em ti
no coração guardado
pulsando calado
que estás me amando

Temes falar
revelar que entre nós
algo assim natural
pudesse existir
 
Posso notar
nas palavras serenas
gestos e acenos discretos
na ternura do olhar

Claudemir Geronazzo Mena
Men@
®
 
 
O MeNiNo SeM JuIzO foi escrever versos nas estrelas.
Em memória dele, continuaremos a publicar as suas poesias, algumas já publicadas, outras inéditas, para que o tesouro que ele nos deixou continue vivo.
 

Dulce Morais

JONAS R. SANCHES um autor presente na ANTOLOGIA VOAR NA POESIA



   Jonas R. Sanches



Despido de Mim

É a vida em fluxo
e os sentimentos, ah eles causam
um certo refluxo
de um jeito que corrói
toda sinceridade existente.

É a vida em fluxo
e os sentimentos são flores lacrimejadas,
coisas que fogem a minha alçada
quando me exponho ao verdadeiro
quando queria ser como pedra de gelo;

mas, é somente a vida em fluxo
e é lancinante a recusa
e deixa em fragmentos e desuso
tudo aquilo que acreditei algures,
mas agora é só um grande vazio.

É a vida agora sem nenhum fluxo
é a cor parada e esquartejada tão só
e tudo o que foi belo e sincero da dó
quando observado profundo no espelho
que reflete o oculto dos olhos vermelhos.

Jonas R. Sanches

Imagem: Google

 

SÉRGIO LIZARDO um autor presente na ANTOLOGIA VOAR NA POESIA


Sérgio Lizardo
 
TRANSFORMAÇÃO

A minha voz, transmudada por ti,
é mesmo feita de carvão
e, com vontade para que assim seja,
o teu ouvido é uma folha de papel.
No meio dela, sussurrando só,
desenho os teus lábios
e, entre um e o outro canto deles,
uma curva. Como se sorriso fosse.
Como o sorriso que tu dás então:
no polegar que te cobre a boca
e na palma que traz o teu rosto.
Para te beijar. Mas beijar mesmo.

Que platónico não sou, e te desejo,
e te quero: grudada na minha alma.

Sérgio Lizardo

 

MARIA ELISA RIBEIRO (Marilisa Ribeiro) uma autora presente na ANTOLOGIA VOAR NA POESIA


Maria Elisa Ribeiro
MEPEMA

Negra, linda linda…olhos doces de mamão maduro
a cheirar a café moído…
Seios túrgidos, ancas abundantes como floresta tropical,
... davas-me teu braço amigo e um ombro que me abrigava de qualquer perigo.
Minha negra ama, branca na pureza do coração…
… força de árvore do mato
possante, preso a raízes de séculos vivos telúricos.
Olhar ímpar…
Mãos afagantes…cheiro a mamão e bananas delirantes…
Refúgio de momentos-que-foram-Momento –Vida…

Mepema cantava sons de encantar menino- branco -a -dormir
sob o dolente som do tórrido sol das brisas equatoriais…
…e banhava-se nos areais de búzios inesquecíveis
que o mar abandonava
às imprevisíveis toadas
de ondas de espumas coloniais.
 
A floresta falava linguagens de árvores húmidas…
As cascatas desprendiam-se de furiosas ribas…
Mepema ensinava o segredo dos medos da vida,
escondidos entre velhas ramas de folhas velhas e traiçoeiras.
Suas negras mãos cansadas colhiam os frutos da mensagem telúrica
que lhe marcava o sabor da vida…
Jazem memórias no caminho onde ficaram destroços
que a palavra redime,
nesta inocência que registei em papiros
nos esgares das manhãs-percurso-dos-dias-infância.
No peito, tenho pregas do mar, que amaram borboletas serenas
como lembranças de Mepema…

Sei que sua alma cavalga pelo Mistério
que me abraça , ainda, na ternura de seu olhar-refrigério…

Nos retalhos de um místico mapa, há areias de gaivotas pousadas no fogo da profecia,
que exalavam seus olhos de harmonia
quando afagava meus loiros cabelos,
ora esbranquiçados pela brisa dos tempos
no útero do Passado que é o Presente dessa alegria.
 
O mar canta areias doiradas nos lírios do peito de Mepema,
na sanzala que foi jardim de Sonho da Aurora,
da “Roça”-d’Outrora…

Prossigo no caminhar pelas abas do tempo
a procurar palavras que endireitem
o fio-de-prumo da mensagem daquela alma serena.

Maria Elisa R. Ribeiro
(Marilisa Ribeiro)
CQ16-Jan/013-mqc

Nota: poema de homenagem à minha ama negra de S.Tomé, que tanto amor me deu.
 
 
 
 

ENIDE SANTOS uma autora presente na ANTOLOGIA VOAR NA POESIA


Enide Santos
Pensamento

Pensamentos
São letras
Sem cores
Sem contornos

São palavras
Não concebidas
Não editadas
Não pronunciadas

São expressões
Da alma
Dos olhos
Do corpo

São verbos que tem vida própria
veem quando querem
Não se consegue controlar
ditam para os sentimentos
até onde devem chegar

Pelejam ferozmente
camuflam-se um no outro
Alastrando-se por todo o ser
montando uma forma de viver.

Enide Santos 19/04/13
 

LUCIANA SALDANHA LIMA uma autora presente na ANTOLOGIA VOAR NA POESIA




Luciana Saldanha Lima

Pode ser amor

Quando amo
Talvez me perco
Na intensidade de ser
No carinho de conviver
Na alegria de saber
No tempo do querer
Que agora presente se faz

Nas mais diferentes horas
Que marcadas não estão
Elas acontecem
Quando amo
Sou flor
Sou rosa de amor
Que dança nos caminhos dos ventos
Trazendo alegria aos pensamentos
Diluindo as tristezas
Nas ondas disformes
Do oceano das suas emoções
Quando amo
Tudo se torna imensidão
Nossos corpos mais do que unidos estão
Tornam-se imortais
Pois juntos estamos no paraíso
No universo que faz
Tudo isso pode ser
Quando o amor acontecer

Luciana Saldanha Lima