Os Nossos Amigos

Etiquetas

A VOAR NA POESIA (5) A) (6) Alessandra Brander (7) Alvaro Sertano (3) Ana Stoppa (25) Anderson Gouvêa (18) Antonio Anjes (11) Antonio Carlos Gomes (39) António Patrício (6) AQUELE POEMA (Gerlane Fernandes) (18) ARTE (6) AUTORES NA ANTOLOGIA VOAR NA POESIA (339) Barbara Nunes Guarany Kaiowá (46) Bosco da Cruz (10) Bruno Junger Mafra (22) CARD DA SEMANA (447) Carlos Lobato (9) Carlos Manuel Alves Margarido (48) Carmem Teresa Elias (5) Céu Pina (34) Claudemir Geronazzo Mena (21) Claudia Salles (11) Cleody Virgínia Silveira (1) Conceição Oliveira (9) CONCURSOS DE POESIA (1) Cris Anvago (19) Cyda Lyra (26) DECLAMAÇÕES-canções-etc. (12) Denise Alves de Paula (50) Dennys Távora (5) DESGARRADA POÉTICA (4) Dilma de Caboclo (12) Dulce Morais (18) Edleuza Nogueira Fonseca (18) Edson Moreira Costa (7) Elian Vieira Silva (13) Enide Santos (67) Eugenia Silveira (5) Fátima Abreu (Fatuquinha) (5) Felipe Rey Rey (12) FELIZ NATAL (46) Fernando Figueirinhas Nana (Naná) (21) FILHOS de Amigos (15) Flávia Marques (5) Flávio Castorino [FlaVcast] (3) FORMATAR (262) Francis Raposo Ferreira (10) Francisco Costa (46) Francisco Settineri (6) Freddy Diblu (13) Geane Masago (78) Gilberto de Almeida (2) Gilberto Wallace Battilana (6) Guria da Poesia Gaúcha (4) HAIKU - HAIKAI pela IMAGEM (6) Imara Ione Vieira (64) Irá Rodrigues (45) Isabel Lucas Simões (9) Jair Francisco da S. Junior (4) Jair Lisboa (7) Janaina Cruz (9) João Raimundo Gonçalves (jrg) (7) Joaquim Barbosa (14) Jonas R. Sanches (25) José Alberto Sá (13) José Carlos Moutinho (3) José Manuel Cabrita Neves (47) Jussara Marinho (18) Kondor My (3) Laisa Ricestoker (43) Leny Mell (41) Leyla Denyse (27) Lilian Reis (12) LIVROS DE POESIA (ALFARRABISMO) (62) Lúcia Polonio (31) Luciana Saldanha Lima (14) Luly Diniz (3) Magda Lopez (27) Marah Mends (4) Mari Alves (51) Maria C. Batista (83) Maria Elisa Ribeiro (24) Maria Helena (12) Mary Rosa (33) Menções Honrosas (339) Miriam Lorente Rodrigues (13) Moacir (23) Neidinha Borges (26) OFICINAS-WORKSHOPS-ETC. (1) Oswaldo Genofre (7) Paula Lourenço (6) Paulo Henriques Frias (7) Paulo Ras (4) POEMA DA SEMANA (68) POEMA TEMÁTICO (20) POESIA (1061) POESIA PARA CRIANÇAS - GRUPO (22) POETA DA SEMANA (4) POETAR (204) PRÉMIO VOAR NA POESIA. (33) Profª Fatuca Silva (8) QUEM É? (37) Rafael Silvestre (6) Renata Bicca (4) Rita Pinho (59) RÓ MAR (54) Rosa Ralo (7) Rosane Ramos (3) Rosiane Ceolin (6) Rudi Ceu (4) San Art's (15) Sérgio Lizardo (9) Silvia Dunley (2) Silvia Regina Costa Lima (4) Sol da noite (45) Sol Figueiredo (13) Solange Moreira de Souza (28) Sulamita Ferreira Teixeira (15) Teresinha Oliveira (Terê Oliva) (54) Valdecir de Oliveira Anselmo (35) Valter José Guerreiro (7) Vitor Moreira (14) VOAR NA POESIA - Aniversários (4) Vrs Palegre (19) Wilma Langer (26) Zé Loureiro (9)

Desde 17 de Agosto 2012

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

BALADA DA MADRUGADA - Freddy Diblu

AUTORES NA "ANTOLOGIA VOAR NA POESIA"

 
 
 

Freddy Diblu

BALADA DA MADRUGADA

Na calada da madrugada
Silêncio é lei invocada.
Não há nada que se disperse!
A noite enluarada
Fenece a tarde, desmaia cor
E algo de extra acontece
Às preces e juras de amor.
Na calada da madrugada
Fria, lânguida, algodoada
Muito se esquece da dor
Quem só de calçada o cobertor.
O dia adormece, o sol não aquece
Enquanto tece outro fulgor.
Na calada da madruga
Metropolitana, semiparalisada
Tem gente aculturada
Não se vem, não se parte
Metrô, Aeroporto, Rodoviário
Na mais tranquila palidez.
O Pregão, o Parlamento, o Judiciário
As atividades nas fardas de zuarte
Tudo é de aparente mudez.
Êxtase mudo em forma de arte!
Teatros, galerias, ourives, ateliês
E Vênus pervagando Marte.
Na calada da madrugada
Apenas nudez de estrelas inusitadas
A calma dos bichos, as línguas em trégua
O sossego do mar, a puríssima memória
E o delicado rumor erótico da amada.
Noite adentro, numa opima régua
O design, a construção, a história.
Obras são lidas, outras edificadas
A légua e léguas da imaginação.
Na calada da madrugada
Há olhos e uivos do lobo
Morcegos rondam manadas
Vaga-lumes e corujas na estrada
E um solitário que se vai de bobo
À caça de pantera caftinada.
E toda impoluta janela é trágica
Todo ávido vampiro, velada mágica.
Na calada da madrugada
Ociosa e suave como a neve
Flatulência a toda a carga
O ronco da voz, o sono leve
E uma gota d’água cai breve
Com turbulência de descarga.
Na calada da madrugada
Beijinhos, lambidas, mordiscadas
São vidas fecundando a vida
Motores e máquinas à lida
E as batidas dos corações.
O sangue ferve-me à cabeça
Daqui a pouco, o dia às avessas
Crianças travessas aos borbotões
E essa balbúrdia danada.
Agora durma, durma amorzinho
O seu sono brando, profundo...
Durma! Veja se sonha anjinho
Outra vida, outro mundo
Na calada da madrugada.

Freddy Diblu


GAME NÃO, POR FAVOR - Francisco Costa

AUTORES NA "ANTOLOGIA VOAR NA POESIA"


 
 
 
 
Francisco Costa

GAME NÃO, POR FAVOR

Sim, ir à praia, se permitir sôfrego ao mar e ao sol,
Observar aves marinhas em arribação, namorar.
Ou deitar na rede, livro na mão, cabeça lá longe,
Vagando, vagando... No espaço do imaginário ali,
Real e tangível como um acorde de violino,
A luz matinal, um beijo dado em surdina, escondido.

Ir ao campo, deixar-se ao vento e às folhas, às flores
Sujando tudo de cores e formas, permitindo-se, vãs,
Aos insetos, às aves, à magia da vida transitando,
Distraída, pelas escarpas do que se faz inapreensível
Por indefinível em si, exigindo presenças e poemas.

E namorar. Se presa da preguiça, do sono, do cansaço
Permanecer, deixar-se estar abandonado na mente
Voando como gaivotas vagabundas navegando o ar,
E ir aos poemas, às pinturas, a qualquer coisa estranha
Que se faça íntima, parte de nós, a parte que ficará.

Por isso não entendo essa gente que se gasta na sorte,
Como se contassem tempo para encontrar a morte.
Sou dos que se escondem do tempo, e exijo respeito.
Não insista, não me convide, não teime: eu odeio game!

Se é para rimar com jogar: é melhor praiar, campear,
Versejar, vagabundear... Qualquer coisa, e namorar.

Francisco Costa
Rio, 30/01/2013.

HORAS SE PASSAM... - Fernando Figueirinhas

AUTORES NA "ANTOLOGIA VOAR NA POESIA"




Fernando Figueirinhas Nana

HORAS SE PASSAM...

Horas se passam a contarmos nossas vidas –
E nunca te vi, nem tu a mim!
Por isso nos conhecemos tão bem...
Guardamos a distância na saudade que nos separa!
Sentimos o impossível acontecer que a distância não alcança...
Vivemos o impossível – realidade abstrata do que somos!...

Fernando Figueirinhas


Estou (...) - Sérgio Lizardo

AUTORES NA "ANTOLOGIA VOAR NA POESIA"

 
 
 
 
Sérgio Lizardo
 


Estou a ponto de ser sem forma nem cor. Estou a ponto de ser ar, apenas ar. De ser ar que se vai distinguir dos outros pelo cheiro. E será o teu cheiro: o do teu perfume também mas o da tua pele sem ele, em proporção maior. Para seguir o teu rasto, estou a ponto de me esfumar –dizem que o amor tudo pode. E tem que ser hoje. Hoje está vento, e venta nessa direção. Estou a ponto de ser o ar que se desloca e chega. De entrar pela frincha da tua porta. De pedir licença aos ares que aí estejam, e então fluir, fluir, fluir mais por entre eles. E subir, subir, subir não muito – não és alta. E ficar, ficar, e esperar: que termines de expirar, que inspires depois, que me inspires. Estou a ponto de ser o teu respiro. Entretanto, suspiro! Suspiro-te! (meu ar)

Canta para ele! - Dulce Morais

AUTORES NA "ANTOLOGIA VOAR NA POESIA"
 
 
 



Dulce Morais


Canta para ele!

Limpa cada uma das tuas penas,

Banha-te na água oferecida,
Prepara-te para o seu acordar,

Afina teu bico na pedra polida.

Aguarda a hora do sol nascer
E espreita pela sua janela.
Observa e escuta a doce voz
E o amor que habita nela.

Canta para ele, pequenino!
Canta para ele, passarinho!

Quando enfim chegar a hora,
Entoa a doce melodia
Que o despertará para a vida
E o acompanhará todo o dia.

Diz-lhe em cada nota
O amor que eu devo calar,
Explica-lhe em cada som
O quanto é bom amar.

Canta para ele, pequenino!
Canta para ele, passarinho!

Convida para a tua orquestra
Os teus amigos e vizinhos,
Juntos toquem a música
Que as mãos dizem em carinhos.

Acompanha cada gesto dele
Para que o teu chilrear
Transmita ao meu amado
O que não se pode falar.

Canta para ele, pequenino!
Canta para ele, passarinho!

Você Tem Saudade Do que? - Ana Stoppa

AUTORES NA "ANTOLOGIA VOAR NA POESIA"


Ana Stoppa

‎30.01 - Dia da Saudade.

Você Tem Saudade Do que?

Você tem saudade do que?
De caramelos, de algodão doce,
Banho de chuva ou cachos de uvas?
Dos barcos de papel, de Papai Noel,
De muitos sorvetes ou de tamboretes?
De pular amarelinha, brincar de casinha,
De esconde-esconde ou fruta do conde?
De belas polainas, travesseiro de paina,
De brincar de rodas ou de pular cordas?
Você tem saudade de que?
Do circo de lona, dos velhos coretos,
Da praça florida ou de muitas cantigas?
Da bailarina, da fada menina,
Do trapezista ou do equilibrista?
Do riso espontâneo, do alegre palhaço,
De muitos confetes ou de alegorias?
De rio cristalino, do sol matutino,
Dos girassóis, ou do arrebol?
Você tem saudade do que?
Da infância distante, cor de alegria,
Ou das aprontadas e estripulias?
Do antigo amigo, não mais contigo,
De pão de queijo, ou do primeiro beijo?
Das manhãs nuas, dos mistérios da lua,
Ou daquela rua, que era tão tua?
De ser criança, de crer na esperança.
De apostar no amor, ou na confiança?
Você tem saudade do que?
De família unida, dos que se foram,
Ou dos teus pais, o maior tesouro?
De suco de uva, de bolinho de chuva,
De pipocas ou muita paçoca?
De muitos abraços, ternura, afagos,
Ou do cantar do mais lindo pássaro?
Do tempo distante, pleno de estrelas,
Ou das manhãs com odor de maçãs?
De colo de mãe, da presença do pai,
Ou de ter os irmãos junto do coração?
Dos amigos perdidos, amores esquecidos,
Da cálida paixão, ou de muita emoção?
Você tem saudade do que?
Da roseira em flor, do primeiro amor,
Do marcante perfume, ou dos vagalumes?
Do canto das cigarras, da praia serena,
Das joaninhas ou da fada madrinha?
Do bolo de côco, do sorvete de palito,
Do doce de banana ou do caldo de cana?
De pipoca caramelada, de mação do amor,
De festa junina, ou da bailarina?
Da caixinha de música, do som do vento,
Da brisa suave, ou de bola na trave?
Você tem saudade do que?
Da vida?
Dos amigos?
Da família?
Ou de você?
Você
Tem
Saudade
Do
Que?

(Ana Stoppa, 30.01.13).


SOFRIMENTO PREMIADO - José Manuel Cabrita Neves

AUTORES NA "ANTOLOGIA VOAR NA POESIA"

 
 
José Manuel Cabrita Neves

SOFRIMENTO PREMIADO

Lembras-te amor? Andavas na escola!
E eu estava à porta sempre à tua espera,
Como um pobre que aguarda a sua esmola...
Momento em que a saudade se libera!

O teu fresco sorriso primavera!
O teu modo de andar com a sacola...
Minha paixão que teu corpo venera,
E só no nosso encontro se consola!

Teve o nosso namôro momentos tristes,
Todo o teu sofrimento por amor,
As sovas que levaste, outras fugiste...

Ofereci-te uma taça, pelo valor,
Pela tua força, como persististe!
Mereceste este meu prémio, és a maior!...

por:José Manuel Cabrita Neves
30-01-2013
foto:taça.jpg
tudoaestalada.blogspot.com

E PORQUE NÃO? - Maria Batista

AUTORES NA "ANTOLOGIA VOAR NA POESIA"

TERCEIRO LUGAR EXEQUO
"POEMA DA SEMANA" 4/2013

01.02

 
 
 
Maria Batista





E PORQUE NÃO?



Porque não voar?...
Planar num sonho o de sentir.
Um sonho sim! Este o de caminhar,
Percorrer a ilusão e existir.
Porque não!?...
Quero a ilusão viver,
Mesmo sendo ilusão,
É bela e faz-me crescer.
Porque não!? Se sorrio...
Trespasso-a ou ela a mim!
Uma, duas, três vezes sem ter frio,
Frio próprio de qualquer coisa chegando ao fim.
Sabem? Não faz mal nenhum!
E porque não uma ilusão tentar?
É a minha! Ilusão talvez comum
A tantos, esta, a do querer voar.
Quero e quero... faz-me bem!
Faz-me sentir viva e mulher,
Uma mulher livre de ninguém,
Que faz o que gosta; escrever.
E porque não?
Digam-me!
E porque não?
"Sigam-me"!
Não a mim mas ao acreditar.
Num sonho que pode até ser ilusão,
Minha e de muitos, basta tentar.
E porque não?...

SAXON 5-12-2011 MC.BATISTA

LA LUNA - Claudemir Geronazzo Mena

AUTORES NA "ANTOLOGIA VOAR NA POESIA"


 
 
Claudemir Geronazzo Mena

poema em espanhol

LA LUNA
Ⓒ

En la luz de los espejos del sol
entra por las noches a iluminarse
los encantos de la luna llena
en los poemas para amarse

Extiende un manto de plata
en las tierras, en los ríos y en el mar
trovador de una serenata
a las parejas que se enamoran

Conspira el amor en las almas
corazones que se enamoran
las miradas, abrazos y besos
se cambian a la luz de la luna

Men@
®
http://meninosemjuizoemversos.blogspot.com/

TER-TE COMO NUNCA O OUSEI! - Maria Batista


AUTORES NA "ANTOLOGIA VOAR NA POESIA"
 
 
VENCEDOR EXEQUO
"POEMA DA SEMANA" 4/2013
01.02
 
 



Maria Batista



TER-TE COMO NUNCA O OUSEI!
 
 

Como sempre quis! E nuca o ousei!
Eu mulher,
Eu ser,
Com vontade, aquela, que tanto desejei!

Percorro-te a ti corpo de homem, o meu!
Em ti delirar,
Amar e amar...
Ser lava ardente num corpo; que é o teu!

Sedento de ti...
Entrego-me!
No teu corpo nu, perco-me!

Quero sentir o que nunca senti.

A minha boca, os meus lábios querem-te beber.
Num impulso, muito meu! Rápido, continuo, guloso,
Beijo-te, sinto-te, acaricio-te... és bom, saboroso.
Eu, qual animal selvagem, louca, que só te quer ter.

O teu cheiro de homem, o meu homem, dá-me vontade de mais...
A minha tua respiração torna-se intensa e suspiro,
Sei o que quero, o que queres, e extasiada respiro!
Grito de prazer meu teu, nosso! Sentindo que somos iguais.

Penetras-me fortemente, entras-te em mim!
Recebi-te inteiramente, foste meu até ao fim!

Possuídos por tamanho calor...
Corpos suados,
Corpos enlaçados,
Do mais puro e belo amor...

E num abraço sentido iremos descansar!
E para todo o sempre recordar o que é amar!

SAXON 18-01-2012 MC.BATISTA

compram-se vendem-se ou trocam-se sonhos!!! (...) - Rosa Ralo


AUTORES NA "ANTOLOGIA VOAR NA POESIA"



Rosa Ralo
 

compram-se
vendem-se
ou trocam-se sonhos!!!
os preços variam
entre um frasquinho de lágrimas
de carpideira
e o grande dilúvio universal
pago apenas
pela resolução da crise económica
mundial...
sonhos de amor
(coisa banal)
o euromilhões
e outras ilusões
caíram nas bolsas
de momento têm preço congelado...
já a casa dos segredos
ou se é gordo e sabe dançar
se trocam sem hesitar
por um corpinho danone
com botox e silicone...
aproveite a ocasião!!!
sonhar precisa-se...
penhore o seu coração...!

r.r.

ADEUS - Francisco Costa

 
AUTORES NA "ANTOLOGIA VOAR NA POESIA"
 
 



Francisco Costa


ADEUS

Hoje, dia da saudade,
Presto culto a esta deusa cruel,
Edificada em lágrimas e adeuses.
Sim. Hoje, ao avesso, louvo o adeus.

O adeus dos que viajaram
E de mãos abertas, dedos separados,
Acenaram, sem saber se voltariam.
Os adeuses de portos e aeroportos,
De rodoviárias e curvas de estradas.

O adeus dos que deixaram rosas,
Bilhetes, recados sobre cabeceiras
E o próprio cheiro no travesseiro.

O adeus de diante da sepultura,
Boca aberta para a refeição do nunca,
Sem que o viajante possa acenar.

O adeus que interrompe beijos,
Aparta fomes úterinas
Impede explosões de sentidos.

O adeus, simplesmente o adeus.
Ah! Deus!

Francisco Costa.
Rio, 30/01/2013

O chamado da poesia - Valdecir Anselmo

AUTORES NA "ANTOLOGIA VOAR NA POESIA"



Valdecir Anselmo
Há um chamado para cada um de nós. Um chamado da Poesia, do sentimento, do enternecimento, da candura, da emotividade e do Amor. Ouçamos esse chamado e, genuflexos, em oração sincera, peçamos a luz para as nossas escolhas e para que possamos usar com sabedoria essa luz que incidir em nós e criarmos coisas belas para adornarmos o Mundo, tornando-o mais agradável e atraente para se viver.

 Amigos ouçamos, embevecidos, ao chamado da nossa Grande Musa, a Poesia.

Valdecir Anselmo

http://valdecirdeoliveiraanselmo.blogspot.com.br/
 
 
 
 

PODIA…MAS… - Maria Elisa Ribeiro

AUTORES NA "ANTOLOGIA VOAR NA POESIA"

 
 
Maria Elisa Ribeiro


PODIA…
MAS…

…eu podia ter-te amado com outras palavras…
…com pétalas de rosa a cheirar a céu…
…com ares perfumados pelo sulco das aves
cheios de mágicos odores dos orientes distantes…

Mas…escondi toda a ternura nas fontes dos bosques…
…nas árvores verdejantes e nos pássaros –militantes-da-vida.

Caíu a chuva e desapareci no silêncio das madrugadas
com os olhos molhados de orvalho,
que deslizava pela rama das árvores.

Podia ter dado a face ao teu sol, quando o abriste para me aquecer.
Podia ter recolhido em mim essa força ardente, que o amor permite.

Mas…fechei-me em noites de vigílias ofegantes
a sonhar distâncias do caminho a percorrer,
confiando no tempo…
que não me disse que iria
continuar –a –passar.

Depois, tive saudades estranhas de estranhas maravilhas
que de ti não vi, nem sequer, tive…
Tive saudades, do abraço
que não senti, no átomo -de-harmonia
que, de ti, se desprendia, e
faltou-me a seiva-raio de trovão ,que um vulcão derramou,
quando o teu olhar pediu…

Podia ter sido a lava desse vulcão, a deslizar pelo teu-olhar-
-colina –verdejante no monte do nosso Instante…
Podia ter-te pedido que me apertasses a mão, sonolenta de emoção …
…e ter-me abrigado dentro do teu coração…
…e sentir-me embriagada na hora desse Então…
…e ter visto o tempo a libertar-se das horas de solidão…

Mas o tempo ouve-se como se ouve a eternidade
e eu perdi-me da rota dessa realidade…

(As margaridas brancas, floridas de esplendor, abraçam as
rosas rubras a exalar um eterno odor.)

Fui vivendo ao leme de ilusões, que sopravam
do passado para o presente do meu futuro.

Se ao menos eu fosse capaz de dizer ao meu poema,
tudo o que podia ter sido, contigo…

Marilisa Ribeiro- p5 de 013-CP 15 (ERTS)

individualismo - Antonio Carlos Gomes

AUTORES NA "ANTOLOGIA VOAR NA POESIA"

 
 

individualismo


Todos somos mestres e atores


Atores únicos de uma vida,


Loucos, corremos os arredores


Da busca frenética, perdida.





Dirigindo a si mesmo. Sabores


De alegria não correspondida.


Sentimo-nos perdidos. São dores


Destes frios desencontros da vida.





Como posso eu, não ser errante


Se cada ator participante


Fala apenas sua própria voz.





E o enredo então desfigurante


Destoa o ato, sempre gritante,


Só falando Eu. Nunca o Nós.








30/11/2011
 
 
Antonio Carlos Gomes

SONETO DA SAUDADE - Bruno Junger Mafra

AUTORES NA "ANTOLOGIA VOAR NA POESIA"


Bruno Junger Mafra


SONETO DA SAUDADE

O canto morto em morta lembrança
Do que um dia foi chamado de vida
É esse o caminho percorrido , dança
macabra marcando esperança perdida

Luar iluminado de dor em mim avança
Na medida da hora que se faz perdida
E na perda dos sonhos morre a esperança
que um dia brilhou na alma hoje tão ferida

Perdido , clamo lugares , tempos , amores
Calado busco aceitar a nova real realidade
Nascida dos vazios , dos gritos e das dores

Resta então aceitar a solidão como verdade
E entender a existência agora sem fervores
Nesse grito da vida desespero e só saudade

( Bruno Junger Mafra )

Agraciado o 28º "PRÉMIO VOAR NA POESIA"

 
 


Freddy Diblu, autor de nacionalidade brasileira, é o vigésimo oitavo autor agraciado com o «PRÉMIO VOAR NA POESIA».

O(s) seu(s) trabalho, distinguido pelo jurí que preside a este Prémio, será publicado na Antologia Voar Na Poesia, obra a ser publicada em Março de 2013.



Parabéns a  Freddy Diblu!

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

MOMENTO POÉTICO - HERNANI MONTEIRO (1948)

(...)

 
Suas mãos! Nervosas, bailando
Alegres na "Tarantela"
De Popper. E que cinzel
Mais graciosamente esculpe
Os perturbantes volteios
Da "Habanera" de Ravel?
 
 
Mãos ardentes, mãos que logo,
Por estranho sortilégio,
São labaredas, são fogo
na "Dança ritual" do egrégio
Andaluz Manuel de Falla!
 
 
Mãos serenas. Que nobreza,
Que majestosa grandeza,
Atingem tocando Bach!
 
 
Mãos que soluçam num ai
Da mais profunda amargura
Nas preces do "Kol Nidrei".
 
 
Mãos altivas, orgulhosas,
Quando na luta venceu
Sua dona. Então é gládio
O arco. A mão empunha-o
Trinfal, dominadora!
 
 
Mãos que nos fazem sofrer
Ou são fonte de ventura.
 
 
Mãos que se abrem, generosas,
(Dizê-lo é justo e consola)
E vão deitando a semente,
Aqui e além, sobre as almas,
Para, entre tantas, algumas
Seguirem de tal modelo
As bases da sua escola.
 
 
Quando fala a minha boca,
Tudo o que diz é pensado.
Falei, pensando em Alguém
Aqui presente e a meu lado.
 
 
Por tantos dons que lhe deu
- Mãos de mágico poder,
Mãos de sonho e de mistério
E glória de Portugal-
Bendito seja o Senhor!
 
 
(...)
 
 
 
Hernani Monteiro in MOMENTO POÉTICO (1948)
 
 
 
 
www.bibliothequeduvalais.blogspot.com tem 1 exemplar disponivel de MOMENTO POÉTICO (1948) (40 €), para o adquirir ou saber mais sobre a obra, mencione a intenção em comentários.
 
 
 
 
 
Hernâni Bastos Monteiro (1891-1963)

O Professor Hernâni Monteiro frequentou a Academia Politécnica de 1907 a 1910. Matriculou-se de seguida na Escola Médica do Porto, ainda Escola Médico-Cirúrgica. Concluiu o curso em Outubro de 1915 com a apresentação da dissertação intitulada "Sífilis Hepática". De 1914 a 1918 ocupou o lugar de 1º Assistente provisório da 1ª classe (Anatomia Descritiva e Topográfica) sendo responsável pela direcção dos trabalhos práticos. Foi regente de Anatomia Topográfica desde 1918 por um período de quarenta e três anos. Prestou provas públicas para uma vaga de 1º Assistente do grupo de Anatomia, Histologia e Embriologia (Abril 1920). Tomou posse do lugar de Professor Ordinário da Faculdade da cadeira de Anatomia Cirúrgica (7-III-1924). Foi fundador dos Laboratórios de Cirurgia Experimental e Radiologia (1928) graças à ampliação do edifício da Faculdade e à criação da Junta de Educação Nacional. O primeiro destes Laboratórios desenvolveu uma importante produção científica desde 1930 nomeadamente a relativa à linfangiografia - pioneiros no Mundo - (Álvaro Rodrigues, Sousa Pereira, Roberto de Carvalho sob a direcção de Hernâni Monteiro) inserindo-se na Escola Angiográfica Portuguesa de Egas Moniz e Reinaldo dos Santos. Também importantes foram os trabalhos aí desenvolvidos relativos à coronariografia, transplantação de orgãos, a acção das simpaticectomias, a regeneração dos linfáticos, as consequências do esvaziamento ganglionar, a transplantabilidade do tecido linfoide, entre outros no âmbito da anatomo-fisiologia linfática. Com a colaboração dos Professores Joaquim Bastos e Afonso Guimarães muitas investigações experimentais no âmbito da Cirurgia e da Fisiologia aí se desenvolveram. A qualidade e a produtividade científica deste centro levou a que o Instituto de Alta Cultura fundasse na Faculdade de Medicina do Porto um centro de Estudos de Medicina Experimental sob a direcção do Professor Hernâni Monteiro (1940-1961). Foi fundador do Laboratório de Embriologia e Teratologia Experimentais. Mostrou particular predilecção pelos estudos de Anatomia Radiológica (colaboração de Roberto de Carvalho e Albano Ramos). Após a jubilação do Professor J.A. Pires de Lima (7-III-1947) dirigiu o Instituto de Anatomia da Faculdade de Medicina do Porto. Nomeado pelo Governo Vogal da Comissão técnica para os estudos de construção dos Hospitais Escolares do Porto e Lisboa foi ainda Presidente da Comissão Instaladora do Hospital de S. João participando activamente na verificação da execução do projecto de construção e no equipamento. Foi Professor Honorário da Faculdade de Medicina de Santiago de Compostela (1944) e Doutor Honoris Causa por Salamanca (1954). Muito cedo evidenciou uma aptidão natural para os estudos de História Médica com particular destaque para a vida e a obra dos Professores da Escola Médica do Porto e a origem e a evolução de vários Serviços da Faculdade. A sua obra literária, o culto da poesia, da música e da arte que cultivou demonstram bem a formação cultural e artística do Professor. Foi um impulsionador e fundador do Teatro Universitário do Porto (1948). Foi sócio das mais creditadas sociedades e academias da especialidade. Grangeou distinções nacionais e internacionais.
 
 
 
 
 


Quero-te - Céu Pina

AUTORES NA "ANTOLOGIA VOAR NA POESIA"

 
 
 
Céu Pina


Quero-te

Pertencer-te assim!
Como os anjos pertencem aos céus…
Esta noite dançamos,
Deitados no chão.
Nada é proibido…
O mundo é nosso,
Nada nos pode deter.
Ritmo penetrante!
Encontro de poetas!
Poço de amor.
Pego tua mão,
Entrelaçadas, exprimem tudo.
Trilhámos caminhos, sem final,
Quero-te, hoje, agora, sempre…
Amar-te uma vida, meu amor.

30/01/2013 Céu Pina

O Labirinto do Fim da Picada - Jonas R. Sanches

AUTORES NA "ANTOLOGIA VOAR NA POESIA"

 
 
Jonas R. Sanches

O Labirinto do Fim da Picada

No labirinto da eternidade
de cada segundo sem fim
onde sou apenas mitocôndrias
nessa infinita dança celular.

No labirinto da eternidade
eu busco uma nova reação
onde eu me despeço de tudo
para viver no nada sem nenhum.

No labirinto dos caminhos tortos
eu mergulho absorto enfim
o inferno não tem asas de aço
e meus ferimentos são imortais.

Caminhos e encruzilhadas dispersas
vem como uma nova remessa ditosa
e espalham sangue e mais sangue
nos veios da terra de ninguém mais.

Labirintos distintos da procriação
revelados e exumados nesse funeral
onde não há mais mortos nem vivos
somente há sementes da alucinação.

Labirintos de um fauno órfão e demente
que escreve nas paredes com giz de cera
refazendo as histórias dos folclores da vida
e o poeta discreto caminha até o fim da picada.

Jonas R. Sanches
Imagem: Google