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sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
Se fosse apenas - Rosane Ramos
Rosane Ramos
Se fosse apenas
Se fosse apenas o vento
as folhas amarelas voando
soltas no ar de chumbo.
Se fosse apenas o pássaro
mudo, quedo, cinzento
a asa a bater no muro.
Se fosse apenas o homem
e sua sombra velando o sangue
mais denso agora no escuro.
Se fosse apenas um curvar-se
sem gemidos, sem lamentos
liberto de todo o jugo.
Se fosse apenas o tempo
relâmpago na superfície
do pensamento sem rumo.
Se fosse apenas o hálito
de alabastro das nuvens
soprando contra os túmulos.
Se apenas um só momento
bastasse ao túnel do esquecimento
mais fundo na noite insone.
Se apenas essa fome
de vida bastasse à vida
e esse anjo corcunda
Não nos curvasse a espinha
nem nos tombasse a fronte
à hora absoluta.
Se fosse apenas...
Rosane Ramos
Se fosse apenas
Se fosse apenas o vento
as folhas amarelas voando
soltas no ar de chumbo.
Se fosse apenas o pássaro
mudo, quedo, cinzento
a asa a bater no muro.
Se fosse apenas o homem
e sua sombra velando o sangue
mais denso agora no escuro.
Se fosse apenas um curvar-se
sem gemidos, sem lamentos
liberto de todo o jugo.
Se fosse apenas o tempo
relâmpago na superfície
do pensamento sem rumo.
Se fosse apenas o hálito
de alabastro das nuvens
soprando contra os túmulos.
Se apenas um só momento
bastasse ao túnel do esquecimento
mais fundo na noite insone.
Se apenas essa fome
de vida bastasse à vida
e esse anjo corcunda
Não nos curvasse a espinha
nem nos tombasse a fronte
à hora absoluta.
Se fosse apenas...
Rosane Ramos
domingo, 9 de dezembro de 2012
Poema de dezembro - Rosane Ramos
Tudo é metálico e azul em dezembro.
O horizonte em brasa, imenso.
Nas vozes vazias vestidas de risos
dezembro zini seu ritmo.
Em consenso, a cidade se incendeia
nas pulsações das areias.
Telúrica, a tarde respira o vício
do sol nas pedras, nos cílios
Úmidos das panteras de biquíni.
Dezembro avança sublime
Pelas frívolas calçadas da noite.
Nas carnes, um toque é açoite.
Mas que ardam! Há desejos e delírios
nos quentes corpos aflitos.
É dezembro e verão e a noite gira
seus rodopios de menina.
Casais escapolem na poeira fina.
Nos ares, uns ais em surdina
Enchem de gozo a noite acalorada.
Depois é dia. O sol se alarga.
Novo consenso conduz a cidade
à luz verde das vontades.
Nos bares, tudo marulha e grita
os sons da manhã marinha.
O mar entoa seus cânticos. Salmodia.
Recomeça a romaria.
dezembro zini seu ritmo.
Em consenso, a cidade se incendeia
nas pulsações das areias.
Telúrica, a tarde respira o vício
do sol nas pedras, nos cílios
Úmidos das panteras de biquíni.
Dezembro avança sublime
Pelas frívolas calçadas da noite.
Nas carnes, um toque é açoite.
Mas que ardam! Há desejos e delírios
nos quentes corpos aflitos.
É dezembro e verão e a noite gira
seus rodopios de menina.
Casais escapolem na poeira fina.
Nos ares, uns ais em surdina
Enchem de gozo a noite acalorada.
Depois é dia. O sol se alarga.
Novo consenso conduz a cidade
à luz verde das vontades.
Nos bares, tudo marulha e grita
os sons da manhã marinha.
O mar entoa seus cânticos. Salmodia.
Recomeça a romaria.
Óculos, toalhas, cadeiras, pranchas
deusas no colo das lanchas
A renque de ambulantes circulando
entre as gentes, sem descanso.
É dezembro. Calor e azuis sem calma
avançam feros sobre a alma
Da estação. Tudo se rende à clara
geografia do sol. A praia
Espuma sua orla de aconchego.
Ao longe, a onda chicoteia.
Um deus desliza veloz entre as vagas.
Dezembro é. Além da palavra.
deusas no colo das lanchas
A renque de ambulantes circulando
entre as gentes, sem descanso.
É dezembro. Calor e azuis sem calma
avançam feros sobre a alma
Da estação. Tudo se rende à clara
geografia do sol. A praia
Espuma sua orla de aconchego.
Ao longe, a onda chicoteia.
Um deus desliza veloz entre as vagas.
Dezembro é. Além da palavra.
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