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sábado, 2 de fevereiro de 2013

Vontade de passagem - Poesia de Momento


"POETAR" 4/2013
02.02





Poesia de Momento

Vontade de passagem

Suspeitei por tempos que seus cachos eram mais meus do que do mundo. Acreditei como poucos que seu sabor e gosto eram uma coisa só. Sabia descrever cada respiração sua, cada promessa feita, cada nova mordida nos lábios, tudo isso sem ao menos lhe dizer palavras quaisquer.

Entendia muito sobre seu viver, os sapatos azuis, as meias transparentes, a sua mística ao anoitecer. Recebia provas disso toda vez que a via se recompondo de cada surto de mal-criação.

Tinha nas mãos seus números da sorte, seu passos para o norte, sul, oeste. Construía com você falas soltas, marcações no tempo, beijos eternamente na boca. A promovia como um ser meu, assim como era, mesmo.

Hoje esqueci de tudo isso, pois na rosa que lhe trouxe a saudade veio junto e me fez sentir sono profundo, como em todas as vezes que tentei morrer assim como você conseguiu.

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sábado, 22 de dezembro de 2012

O sabor de olhar - Poesia de Momento (Rafael Silvestre)




Poesia de Momento

O sabor de olhar


Sob o sol de todos os graus, meus olhos tentam enxergar sangue em céu de desespero. Não consigo mais andar, não há pernas que cante qualquer caminho de alegria, somente o escaldar de pele em dia de despedida. No mundo dos afortunados, meu caro, o desespero é a calma alentadora da sofridão.

Não me interessava mais pássaros, noites, doces olhares. Sob o sol em pele de amante, perfurava o céu em busca de iluminação maior, dessas que te leva sem ao menos despedir de bom dia, boa tarde, boa noite.

Tentava enxergar o outro lado da vida, que me queimava as retinas em graus incalculáveis. Era a despedida alienadora de um olhar perdido, de longos anos de vida em esperanças. Quanto mais ela se punha na minha vida, menos eu a sentia.

De tanto olh ceguei. Sangrei o último suspiro do olhar. Não mais podia ver você, eu e o que quisesse perceber. Foi desta forma que o silêncio surgiu naquela tarde mais do que perdida, de sol a queimar e de sonhos postos na falta de vontade em continuar a viver por você.

Queria, a todo custo, esquecer tudo começando pela visão. Faltava agora o passo para o pão, a sujeita e a escravidão.

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domingo, 9 de dezembro de 2012

Fantasia!




Às 10h em ponto peguei a toalha preta, com riscos em amarelo, essa que mais lembrava os fios do seu cabelo, só que bem grossos, e sacudi na janela. No ar, restos de um café da manhã de sabor amargo. Percorriam o ar, em um flutuar calmo, transformando meus olhos em desabrocho de sonhos. Talvez fosse a quantidade de vinho seco que tomamos na noite anterior o motivo de a brisa bater bem de leve na minha alma naquela hora. Talvez não fosse, também. Poderia ser a esperança, a conformação, poderia ser. E foi, aliás, foi-se no vento as migalhas daquele café da manhã.

Como em um estalo de dedos, o passarinho mais próximo da janela anunciou aquele dia que começara tardio. Aquilo que voava, em fuga ou em vão, era algo que tentamos empurrar para o estômago naquela manhã. Dois pães, um fino queijo e café preto, sem leite. Nada mais. Nos seus olhos notava-se o medo de fermentar seus buracos do estômago com vinho seco e leite. Muito forte para o...
seu fim de vida. Bem que não quis mesmo.
Na janela, quase perdi a toalha. Tratei-me de voltar à realidade e pus-me a dobrar tudo. Da trouxa com copos e talheres, a pressa de suportar o dia. Não havia mais tempo a perder, as próximas horas seriam totalmente anos, dias. Nossas cabeças remoíam o vinho da noite, em um amargo que disputava lugar na língua com o café preto, sem açúcar. Nada disso tirava o espaço da preocupação.

Queríamos tudo de volta naquela manhã. Os 50 anos juntos, o primeiro anel de rubi, o sapato do primeiro casamento seu. Bom, nem deveria estar ali, de verdade, pois o teu barro fora amassado em outros horizontes antes de mim. Todavia, aprendi com você que a vida suja é a que anda descalça, por aí.

Às 11h47 estávamos onde teríamos de estar. A toalha ficara de fora, pois não se pode parecer arraste em momentos de roupa não amassada e de cabelo penteado. Nossos ouvidos estavam limpos, arruei algo para limpar justamente para receber a notícia.

Nos separaríamos, desta forma se anunciou, da boca de dentes frouxos e faltantes, a palavra cantada do doutor. Tu eras o fim no olhar, nem esperou a morte que chegaria em breve. Eu, sem ter o que fazer, agradeci e te peguei nas mãos. Tinha certeza absoluta que a dor do vinho da noite anterior ainda estava com você. A mesma certeza de que também sentia-se conformado. Por tudo que passamos, ali era o ponto final.

Às 13h43 voltamos ao nosso lugar. Coberto por um fino cheiro de esgoto, os tubos de do nosso ambiente abandonado era realidade. Os ratos e as aranhas até deixaram a gente em paz, sabiam o que ali se permeava.

Não adiantou nada narrar aquela fantasia das 10h, que no desespero se condicionou como único remédio. Nunca tivemos nada e eu passaria a não ter você.

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Poesia de Momento

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

PEQUENAS UTOPIAS - SILVESTRE Rafael

Sobre o autor
Na poesia o mundo condensa-se, transforma-se no segundo mundo, uma atmosfera que abre um universo de possibilidades.
É o que tenta sentir Rafael Silvestre, jornalista de formação e educador social por opção.

De São Paulo tenta transformar as suas palavras em um encontro das letras.
Pequenas Utopias
Um livro de poesias na nova linguagem das mídias sociais
SINOPSE
Pequenas Utopias
Um livro de poesias na nova linguagem das mídias sociais
Acompanhar a comunicação da sociedade atual é turbinar a alma, os sentidos e os dedos dentro de uma leitura objetiva e rápida. Consomem-se a informação, a leitura, tudo, de maneira dinâmica, às vezes, sem profundidade que se merece.
Mas há como navegar por esses mares de águas rasas, ancorando, de fato, na imensidão de alguns pensamentos rápidos e introspectivos. A poesia, no seu transcorrer de formas, há séculos se adapta às maneiras mais diferentes de textos, como no caso do “Pequenas Utopias”,primeiro livro de poesias do jornalista Rafael Silvestre.
O livro mergulha em caracteres permitidos pelos atuais meios de comunicação e se condensa ao infinito das interpretações do dia a dia. Pequenas Utopias é um mundo de grandes sensações e poucas palavras.
Pequenas Utopias é o livro de estreia do jornalista Rafael Silvestre. Ainda sem editora, o projeto divide-se em três contextos internos (Surtos, Sentimentos e Vontades) e está disponível em formato PDF.