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domingo, 1 de fevereiro de 2015

Livre arbítrio - Enide Santos


Enide Santos
Livre arbítrio




Como posso ser o que nunca fui?
Descrever o que sentir, sem ser?
...
Queria eu ser a sensação
Da folha ao tocar no chão.
Também queria ser o chão
E dar-lhe majestosa recepção.
O som do trovão queria eu ser
E ecoar mostrando poder
E da noite ser a mão
Para a aurora dar proteção.
Tantas e tantas coisas queria eu ser.
Ser o silencio que só no ventre do vento há.
A distância que cada gota na chuva se dá.
Ser o burburinho na vida do ar.
Querendo ser sou.
Sou a musica que invento
E digo que quem gosta é o tempo.
Sou a sede da aurora
E para ela domo minha história.
Sou a morte do grito
O fim de seu rito
Sou a fome a sede da vida
Sou o punho cerrado
Do livre arbítrio.
Eu sou um mito.
Sou poeta
E querendo ser
Eu sou.




Enide Santos 22/11/14

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Rocha - Luís Massapina





Luis Massapina

Rocha
Água em rocha,
Chama em gelo.
Apagou a tocha,...
Calor nem vê-lo.


Um peito
Desfeito
Não bate,
Só late.
Como um cão
E o mundo...
Vive no fundo,
Na recordação.



Cansado
Não dorme,
Esfaimado
E não come.
Mente no lume:
O monte escalado
Sem ver o cume...
Desanimado.



Gelo que não derrete
Tocha já não acende.
O calor não faz o frete,
Uma rocha peito prende.



23-01-2015

sábado, 17 de janeiro de 2015

Vivo numa ilha de convicção - Ganso Selvagem (Rui Moreira)




Rui Moreira

Vivo numa ilha de convicção


A noite questiona as ditas convicções
As sombras mascaram e confundem antigas lições
O que era inquestionável soa como duvidoso...
A escuridão torna tudo meio misterioso.
As verdades absolutas apresentam-se incertas
As portas aparentemente fechadas mostram-se abertas
Algumas saídas desaparecem inexplicavelmente
As ideias perdem-se no imenso labirinto da mente.
O ar parece mais rarefeito com algo de contaminado
A visão distorcida e tudo em volta enevoado
Eu caminho sozinho esbarrando em corpos estranhamente iguais
Acéfalos seguindo bandeiras de guerra e paz, tanto faz.
Já não sei para onde vou nem porque devo ir
Não sei distinguir se devo ficar ou partir
Os meus pilares ruíram no fugaz castelo de areia
Sinto-me imobilizado como um insecto numa teia.
Estou tão distante da minha essência quanto de Marte
Vislumbro rascunhos onde pensava haver pura arte
Rasgo os meus discursos vazios cheio de questionamentos
Não consigo colocar em ordem os meus pensamentos.
O meu mundo parece girar noutra velocidade
Os meus pés não sentem mais a mesma gravidade
Vagueio a esmo entre a fronteira da ilusão e da realidade
Na silenciosa cela da ilusão é que encontro a liberdade.
Ouço-me sofista, tudo que sei é que nada sei
Rejeito dogmas, fé, normas ou qualquer lei
Ao meu redor há uma mudança sem regras e constante
Nada permanece igual após um átomo de instante.
Ante toda esta louca inconstância a transição
Só segue incólume e intocado o meu escondido coração
No meio de um oceano de incerteza, uma ilha de convicção
Eu amo-te, quero-te e te tudo além e aquém de qualquer razão.

Ganso Selvagem (Rui Moreira)

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

TUDO.........mas nada ! - Carlos Lacerda


Carlos Lacerda
 
TUDO.........mas nada !
Sou um perdido na floresta da vida
por não ter nascido no mundo que trago em mim.

E olho a vida como um cativeiro sem grades
porque as grades és tu, sou eu, somos nós.
E não acredito no céu, na terra, na imortalidade
mas no silêncio e na musica que não é o fim do que sou.
E trago em mim a loucura que ouço na escuridão
e nas palavras da mulher amada quando comigo deitada.
E neste cativeiro de caminhos perdidos e vestido de negro
estremeço de medo esquecido do ruído d'um mundo sonhado.
Sou, sou esse sonho sonhado e não abençoado
nesta floresta sem luz e de sol fechado.
E vou perdoar-me por ter ficado sozinho aqui
e ter escolhido a vida que dizem.... escolhi,
E dizer ao destino que lhe "agradeço" ter sido carne rasgada
mente bloqueada, voz embargada
e nesta floresta de morte ter tido uma vida sofrida e chorada.
autor.:- carlos lacerda
reservado direitos de autor
15. janeiro. 2015

VERSO - Solange


Solange Moreira de Souza
 
VERSO

Faço de ti amigo um confidente.
Tão assim, a alma não fica doente.
Os versos uma amizade sem fim....
Voam livres neste universo enfim.
A felicidade sabe às vezes se esconde,
A tristeza vem forte, não se sabe de onde.
Pergunto a ti, agora me diz meu parceiro,
Ela há de voltar, não é companheiro?
Sim acredito em ti sei que não mentes
Vou ouvir o silêncio da minha mente.
É verdade também acalmar o coração,
Sim também vou acender a chama da emoção.
Claro, tu estás certo chamar a esperança,
Ela renova a vida e com ela tudo se alcança.

Solange Moreira
14.01.15

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

É HOJE. - José Augusto Silvério


José Augusto Silverio
 
É HOJE.
Perdi a hora, o relógio não despertou.
Abri a janela e o ônibus passou.
Olhei no quintal e vi que o galo escapou....
Fui ao banheiro e a água acabou.

A coluna doía da noite mal dormida.
Na cozinha os pratos sujos de comida.
As roupas espalhadas pelo quarto.
Juro-te quase tive o danado do enfarto.
O sapato descolou a sola.
A meia ainda fedia chulé.
No fogão o gás acabou.
Nem deu pra fazer o café.
O carro parado na rua de cima,
Quase encoberto pela enxurrada.
Na noite anterior acabou a gasolina.
Olhei na carteira, dinheiro, nada.
O cobrador batendo na porta.
Felizmente ela não abre, ficou torta.
A galinha que seria o meu almoço,
Fugiu com medo de ser morta.
Passei o pente no cabelo.
Caiu quase a metade.
O rio danado transbordou.
Encheu a minha cidade.
Nada disto me aborrece,
Ou ao menos me tira do sério.
Pois trago no peito guardado,
Um gostoso mistério.
Mistério que me deixa assim feliz.
Pois vai acabar o meu aborrecimento.
Creiam este dia todo assim atípico...
É o dia...Do meu casamento.
OBS: QUER CASAR COMIGO?
Autor: José Augusto Silvério. ZITO.


www.webradiomusicalivre.com.br

PROGRAMA ZITO SILVERIO, o programa de todas a suas manhãs, trazido com muito carinho, fé e amor, momentos de muita musicas, poesias e causos junto com ZITO E ZECA

Amor - Maria Irene Frieza








Maria Irene Frieza
 
Amor,
Se doí sem doer
Se pensas sem querer
É amor...podes crer!
Se sorris a sonhar...
Se a lua te parece tua...
Se as estrelas te sorriem
Reproduzindo a imagem sua
É amor...podes crer!
Se acordas cantarolando
Esquecida do que já foi pranto...
Despede-te da tristeza
Veste-te de grandeza...
Por um momento, abre o coração!
Abraça a vida e a felicidade...
Pois se doí sem doer!
É amor podes crer.


Maria Irene Frieza
11/01/2015

Formosa Criatura - Daniel Lopes de Oliveira


Daniel Lopes de Oliveira




FORMOSA CRIATURA



Oh! Formosa criatura...
Que desliza pela areia pura
Fazendo inveja ao mar.
Quero olhar, mas não me atrevo,
Por respeito, ou quase medo,
De que possas não gostar,
De sentir o meu olhar
Perscrutando o seu corpo,
Com pensamentos sequiosos
Que traz o rubor só de pensar.
Esse teu corpo maravilhoso
Levado pelo seu andar gostoso,
Seguindo o balanço do mar,
Desperta um desejo perigoso
A qualquer pobre mortal,
Que vendo tamanha beleza,
Fica sem ter a certeza,
Se com tanta realeza
Você é miragem ou real!

Ilha Solteira/SP
11/01/2015 – 22:14h

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Êxodo Mortal (Soneto) - André Rodrigues


Dom Poeta André Rodrigues

Êxodo Mortal
(Soneto)


Um dia, eu emigro solitário,
Com os olhos fechados e deitado;...
Coberto por um testo acastanhado,
Para que mais não tenha aniversário.

Descolo desta mágoa descansado…
Da raça que me faz sentir otário,
Para pousar feliz num relicário,
Que sim… me há-de fazer afortunado!
Caminharei um dia, destemido,
Pelo trilho que é certo… me pertence.
Não mais precisarei ser reprimido!
Porque sei que me espera a eternidade…
O prazer, o sentir que tudo vence,
O ser liberto desta castidade!

André Rodrigues 9/12/2014

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Vida do Palhaço - Carlos Batista


Carlos Batista Batista


Vida do Palhaço


O palhaço
Com suas lágrimas
Escondidas nas graças...
De uma máscara encantada
Que faz sorrisos brotarem
Encantando por onde passa
E nos seus momentos mais tristes
Distante do seu palco
Sente as dores do passado
E do presente que o aflige
Solitário e triste vê que é diferente
E quando se transforma
Os olhos brilham
E sorrisos explodem
Gritos de alegrias
Toda uma luz em esplendor
Nas graças do palhaço
Que se entrega com amor
O palhaço

Carlos Batista
www.serpoeta.com.br

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

REPOUSO - Luís Massapina

 
 


Além da janela trancada
Nada mais sobra de ti.
Pertences abandonados
Do que foste impregnados,
Em mar de lamento tocados!
De ti não há mais nada...
O teu rosto não sorri.
Serás anjo após partida,
Só carcaça carcomida,
Vives hoje outra vida,
Noutro corpo, renascida?
Neste espaço que foi teu
Ainda ninguém te esqueceu...
Há multidões de memórias,
Colecções de carinhos,
Rocambolescas histórias...
Antagónicos caminhos,
Um sem fim de lamurias!
Com céu aberto,
Alma em aperto...
Sol aos quadradinhos!
Troca comigo,
Fazes mais falta!
Arrasto viva caveira,
Próprio arqui-inimigo...
Bala na testa ressalta,
Devolvida pela trincheira.
Cede-me a tua cova,
E volto a ser anjo da guarda!
Preciso descansar os ossos,
Tu mereces vida nova!
Calço asas, visto farda,
Aponto luz para teus passos:
Vive, acaba com tanta saudade!
As larvas que me comam a mim,
E do meu corpo façam festim
No repouso da eternidade.

23-08-2014
Luis Massapina
 

sábado, 3 de maio de 2014

1º de Maio 2014 - Adriana Dias da Silva







Adriana Dias da Silva
 
1° de maio de 2014!

A vc que passa quase a vida com seus companheiros de trabalho com se fosse sua segunda família, na empresa que por vezes tanto tempo lá está que a casa chega a se chamar, que zela pelos bens que não são seus, que hospeda e acolhe bem visitantes(clientes) que não são para vc, que proporciona o mais belo sorriso para acolher aqueles que lá chegam, que cumpre com retidão e boa educação e ética sua missão.....Pois bem sabes que ali que sai o seu pão, a educação dos seus filhos, a grana para pagar em dia a moradia e a sua prestação, vais dia a dia galgando com vêemencia sua missão....Poderiamos nos sentir mais felizes, se todos os seres humanos tivevessem seu laboro, digno e com direitos respeitados...Mas não é bem assim....Trabalhador vais seguindo sua jornada, mas jamais se sinta prisioneiro de seu trabalho, e sim faço-o com amor, com respeito e ação. Cumprindo seu papel como um bom profissional, e amanhã seu filho que hj é um menino, poderá lhe saudar com aquele sorriso franco mais ingênuo......

PAPAI, MAMÃE FELIZ DIA DO TRABALHADOR.....

(autora ADRIANA DIAS DA SILVA - RGS- NOROESTE GAÚCHO- 2014)

sexta-feira, 2 de maio de 2014

ESCUDO - Josue Ramiro Carvalho





Josue Ramiro Ramalho
 
ESCUDO

A roupa
Desenha o corpo dela
Escudo!...
Ordinariamente observo
Mudo!
Em minha mente
Nem sei se isso é tudo
Absurdo!
Enquanto isso teimo em
Fitá-la
Adorá-la
Desejá-la
Amá-la
Até o encanto se desfazer
E aí...
Volver!

Josue Ramiro Ramalho 3

MÃO DE DEUS - Leni Duarte



 
Leni Duarte
MÃO DE DEUS

Mão amada.
Mão amiga.

Que me afaga e me guia.
Mostra o caminho a seguir.
Segura meus fardos,
Ergue-me nas quedas sofridas.
Seca minhas lágrimas,
Cura as feridas.
Protege-me das flechas inimigas,
Com o escudo de amor infindo.
Mão que me aperta num abraço de amor,
Acaricia e cuida da minha dor.
Mão que me deu vida.
Mão de Deus!
(LENI DUARTE)
30/04/2014

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Quero te mostrar...- Maria Luiza Silva




 
Maria Luiza Silva

Quero te mostrar quem sou despida de expressões, desnuda de sentimentos.
Sou trapos que vês e percebes, sou as linhas do teu pensamento.
Visões de sonhos imaginários translúcidos na memória do homem que habitas.

Sou o teu pensamento a imagem que convives, as cores que vês a vida que enxergas.
Sou tua imagem que se reflete no espelho da vida.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

POEMA PARA A PRÓXIMA AMADA - Gilberto Wallace Battilana


Gilberto Wallace Battilana
 
 

Te aproximas, pressinto, próxima amada,
No enevoado amanhã descortinado,
Antecipo a tua visão, és a que eu esperava,
Teus passos sussurram o meu prazer.
És a que me vais fazer sentir forte
Na segurança do teu amor
Ao ultrapassares a curva de um dia,
De um rio, de um pensamento, ou da poesia.
Eu te encontrarei com o sorriso que imagino
Que fará o amor cumprir o seu destino,
O que desejo e espero, desde menino.
Não demores, amada, apressa teus passos,
Meus braços cansados só esperam o momento
De te encontrar para se tornarem um abraço
Em torno do teu corpo desejado.
 

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Feitiçaria - Rui Moreira

 
 
Rui Moreira
Feitiçaria!

Que o feitiço lançado nos beijos
Desperte os mais inconfessáveis desejos
Escancare as portas do reino do Prazer
Redefina o conceito de querer.

Que os ósculos sejam profundos, intensos, fatais
Tenham o sabor inigualável de quero mais, muito mais
Que nunca percam a emoção incontrolável do primeiro
O ineditismo e a expectativa do mês de Janeiro.

Que os lábios se encaixem com absoluta precisão
Se explorem e se mesclem com incomensurável paixão
Que o ballet das línguas seja coreograficamente perfeito
Sintonia total com o coração descompassado no peito.

Que as mãos enlouquecidas desfrutem a sua liberdade
Desfrutem plenamente o fim da ansiedade
Percorram intensamente todos os improváveis caminhos
Botões e fechos se abram e se rendam sozinhos

Que a descartável razão seja banida sem demora
Que todo pecado fique lá fora
Que seja abençoada toda a loucura
Sejam eternos todos os sabores desta mistura.

Que todo côncavo encontre o seu convexo
Enquanto o universo assista perplexo
A perfeita união do amor com o sexo
Unos, exactos, complementares, nada complexo

Que a magia esteja sempre presente
O amor seja infinito e permanente
Tudo se repita cada vez mais intensamente
Além de todos os limites, eternamente.

Ganso selvagem (Rui Moreira)

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Mãe - José Manuel Cabrita Neves




José Manuel Cabrita Neves
 
MÃE

Tu és aquela que me trouxe ao mundo,
Tu és a mais bonita das mulheres!
Pois faças tu aquilo que fizeres,

Sinto que o fazes com amor profundo!

Nos dias bons e maus que tem a vida,
O teu sorriso está sempre presente.
De todas as mulheres tu és diferente,
Contigo ao lado nunca estou perdida!

Neste soneto eu quis poder escrever:
Que tu és para mim como ninguém,
Mas nem um livro chegava p’ró fazer…

Tudo o que não escrever tu sabes bem:
Neste meu coração poderás ler,
Como te adoro minha querida mãe!...



Imagem padresandro.blog.uol.com.br

sábado, 20 de abril de 2013

CARLOS LOBATO um autor presente na ANTOLOGIA VOAR NA POESIA


Carlos Lobato
VELAS

Um fosforo.
O cheiro do enxofre.
Uma chama.
Uma vela.
Um bailado.
Uma chama.
Um crepitar,
Tremulo,
O meu desejo.
O nosso silencio.
Dedos.
Pontas de dedos.
A pele.
Nua.
As paredes.
As sombras.
A luz tenue.
Os labios.
Os beijos.
Um bailado.
Um gemido.
Rugas do corpo.
Entrar em ti!
Um bailado.
O meu desejo.
O teu desejo.
Uma chama.
O cheiro.
Tudo.

30 MARCO 2013
 

JOÃO RAIMUNDO GONÇALVES (jrg) um autor presente na ANTOLOGIA VOAR NA POESIA


    João Raimundo Gonçalves
 
 
PROCURAM-SE VIVAS!...
**
procuro
uma ou mais ninfas que inspiradas
na arte de fixar actos d'amor
enquanto eu penso e as palavras furo
por entre rimas loucas afiladas
o seu pincel ou traço lhes dê a justa cor
*
quero encontrar
uma ou mais dessas musas fascinantes
olhar de fogo sorriso lascivo
que me pintem o fascínio de tanto amar
quando o poema alvo dos amantes
seja da cor e traço tão de tanto mais cativo
*
almejo
rever lindas Tágides subindo o grande rio
cantando as mágoas do amor
agitando meus versos com um doce beijo
colorindo o desejo a sangue frio
como quem pinta no sofrimento a própria dor
*
venham tão belas
cobertas tão só da mais pura poesia
sorrisos luz beijos de espuma
pintando palavras com brilho de estrelas
procuro no vento a fantasia
capaz de varrer para longe a triste bruma
*
quero a artista
capaz de pintar a alma do poema
onde as sílabas se entrelaçam
seguindo o rasto que deixo como pista
e me ajude a decifrar o teorema
que é o amor o sexo o beijo que tresloucam
*
doce louca orgia
que cada palavra provoca numa outra
sob o efeito do retrato desenhado
dar a sentir a paixão que se solta da magia
nada de obsceno que seja contra
a sensual devastação do fogo alastrado
*
há por aí alguém
que ouse desventrar no poema sua nudez
a preto e branco ou colorido
se for de arco-íris que venha também
se embrenhe em natural placidez
que o acto de amor encerra após vencido