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sábado, 12 de outubro de 2013

O SONETO EM FALSO - Bruno Junger Mafra



Bruno Junger Mafra
O SONETO EM FALSO

Tarde foi quando percebi o falsete de sua voz
Agora nada existe para que se possa voltar atrás
Então sigo na decepção de uma ilusão atroz...
Engolindo a vida que não se fez e não se faz

Ventriloquo som que tornou meu sonho fugaz
Transformando a calmaria em maremoto feroz
Me vi de repente vazio feito um barco sem cais
Impotente para desatar dos passos os seus nós

Sem chão e caminho vão meus olhos assustados
Nada que indique estradas onde se possa sonhar
Mas sim trilha prenhe de sangue dos condenados

Eis que eu me encontro ilha vazio no meio do mar
Luta nada e desistida na junção dos desesperados
Vagando sem sentido no sentido inverso do olhar

quinta-feira, 30 de maio de 2013

AMBIENTE - Bruno Junger Mafra

Bruno Junger Mafra
 
AMBIENTE

A cancerosa visão
do pulmão da terra
fere o menino

assim como pássar
que hoje em vez de canto
dobra sino
ante a morte anunciada

Guerra covarde
serra que corta
fogo que arde
nos cabelos da terra
triturados em fel
na restada cinza cruel
da réstia da morte

Lentamente
se esvai mãe terra
nessa guerra crueldade
que trava o homem
contra
a humanidade
 
 
 
 

sábado, 20 de abril de 2013

BRUNO JUNGER MAFRA um autor presente na ANTOLOGIA VOAR NA POESIA


   Bruno Junger Mafra



LUA CHEIA

Farol da noite
te amo
agradecido
por lembranças
descalças
canções de longe
formação de sonhos
à sua luz

Amo
seus pássaros
visíveis e claros
seus raios de cores
em fachos distribuidos
em noites azuis

Farol da noite
versos de amor
se formam
à sua sombra
e cristais dos beijo
s e íris mágicas
de olhos em sorrisos

Farol da noite
réstia de esperança
resgate de alegria
no escuro da vida
entrecortada
muitas vezes
pela ausência
das palavras

 

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

AMOR NO AR - Bruno Junger Mafra

"POEMA DA SEMANA" 5/2013
08.02
Menção Honrosa de Participação
 
 
 


Bruno Junger Mafra



 

AMOR NO AR

Amor no ar e eu jamais repleto
Sempre a falta do tudo nunca dito
Sempre a ausência do nada abjeto
Sempre a presença do gesto no infinito

Amor no ar sempre o mesmo objeto
Crucial busca terminada em grito
Terminal sonho vazio e incompleto
Prece inútil , sempre o mesmo rito

E é na ilusão de amar que resistimos
Feito as palavras bailando no vazio
Sempre o jamais naquilo que pedimos

Fica então o rastro de indizível navio
Em cuja rota a toda hora nos ferimos :
Amor no ar - sempre o mesmo frio

( Bruno Junger Mafra em "A Valsa Esquecida" , p. 41 )

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

SONETO DA SAUDADE - Bruno Junger Mafra

AUTORES NA "ANTOLOGIA VOAR NA POESIA"


Bruno Junger Mafra


SONETO DA SAUDADE

O canto morto em morta lembrança
Do que um dia foi chamado de vida
É esse o caminho percorrido , dança
macabra marcando esperança perdida

Luar iluminado de dor em mim avança
Na medida da hora que se faz perdida
E na perda dos sonhos morre a esperança
que um dia brilhou na alma hoje tão ferida

Perdido , clamo lugares , tempos , amores
Calado busco aceitar a nova real realidade
Nascida dos vazios , dos gritos e das dores

Resta então aceitar a solidão como verdade
E entender a existência agora sem fervores
Nesse grito da vida desespero e só saudade

( Bruno Junger Mafra )

domingo, 27 de janeiro de 2013

LUA CHEIA - Bruno Junger Mafra


 
 
Bruno Junger Mafra
LUA CHEIA

Farol da noite
te amo
agradecido
por lembranças
descalças
canções de longe
formação de sonhos
à sua luz

Amo
seus pássaros
visíveis e claros
seus raios de cores
em fachos distribuidos
em noites
azuis

Farol da noite
versos de amor
se formam
à sua sombra
e cristais dos beijos
e íris mágicas
de olhos em sorrisos

Farol da noite
réstia de esperança
resgate de alegria
no escuro da vida
entrecortada
muitas vezes
pela ausência
das palavras

( Bruno Junger Mafra )

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

GRITO PRESO AGORA SOLTO - Bruno Junger Mafra





Bruno Junger Mafra
GRITO PRESO AGORA SOLTO


Grito hoje
o grito que jamais gritei
o grito amo-te
o grito foda-se

Decidi
a partir de hoje
ser um feixe de luz
sexualmente ativo
e uma boca repleta de caninos
quando da ausência
de beijos

Mais do que engenheiro
( confesso )
ser arrogante
e punheteiro

e da loucura assumida
e destrutiva
conseguirei o sonho maior
dessa fase escrachada

Cortar em tiras o lirismo
ser internado em Pasárgada

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

MOSAICO - Bruno Junger Mafra


 
Bruno Junger Mafra
MOSAICO


Dentro das cores
de um poema
traço o arco-íris
de nossos dias

Papel não mais
em branco
agora são nuvens
penas
pétalas

O mosaico da alegria
se completa
a cada palavra escrita
com o doce desse amor
incipiente
porém forte
concreto
longas raízes
abraçadas
aos sonhos
renascidos

( Bruno Junger Mafra )

sábado, 12 de janeiro de 2013

ADMISSÃO - Bruno Junger Mafra

Menção Honrosa
"POEMA DA SEMANA"
1/2013


 
 
Bruno Junger Mafra
 

 
ADMISSÃO

Aceito
não sem tristeza
que minha imagem
( mesmo pequenina )
já não é nem mesmo
miragem
em tua retina

Aceito
não sem melancolia
que no espelho
de teus olhos
se apagou para sempre
a minha
fotografia

Aceito
a aridez
em que se transformou
o jardim
de nossa agora
terminal alegria

Perdoe-me dona das pedras
sei que te sonhei mais
do que devia

( Bruno Junger Mafra )

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

MOENDA - Bruno Junger Mafra






Bruno Junger Mafra
 
 
 
 
MOENDA
 


Caminho com resolução
pelas estradas
das contradições
onde as flores se concretizam
nas asperezas
das esperanças - se não perdidas de todo -
por instantes
esquecidas

Há uma chuva ácida
na saliva das palavras
ditas a mim
e estranhas pinturas abstratas
mancham os sonhos
das noites não dormidas

A realidade
dos jardins de pedra
me desperta , assustado
e vejo , atônito
os livros fechados
de todos os passados sem verde
e ausentes das luzes
dos Néons

Silente e ciente da dor
me entrego a moenda
enquanto a morte campeia
os inelutáveis rastros
da solidão


( Bruno Junger Mafra )
 

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

( RE) NASCER - Bruno Junger Mafra




Bruno Junger Mafra
 
 
 
 
 
‎( RE) NASCER



Foram três meses
só noite
nas entranhas de mi hermana

Foram meses
só noite
( como o medo
recrudesce no escuro
da espera
como a esperança
vacila
no coração cheio
de dúvida )

A tua espera
se fez noite também
na poesia
nas cantigas/palavras
que tantos irmãos
cantaram pra ti

A tua espera
se fez também
um pouco de noite
em mim

Mas enfim
se fez a luz
( quem sabe os olhos de Deus
pousaram mansamente
em ti ? )

Lá fora , agora
volta a poesia
alegria
canções do Chico
canções do mar

Volta o luar
a banhar teu rosto
com a sua cor
voltam palavras
de ternura
que um menino crescido
longe
esculpe de ouro
e as lança novamente
a ti

A vida renasce agora
hermana
por mim , mais por ti
e o medo se dissipa na media que se reaprende
( com motivos )
a amar
e a sorrir
 

 ( Bruno Junger Mafra )
 
 
 

domingo, 16 de dezembro de 2012

SOLIDÃO - Bruno Junger Mafra


Bruno Junger Mafra
 
 
 
 
SOLIDÃO
 
 
 
 


Inda que fosse
( e não é )
água claa que
passa
entre os dedos
deixando só frio passageiro
resíduo que logo
seca e logo some


Inda que fosse
( e não é )

areia fina de vento
que aplica choques
sem sequelas
tanto no corpo
e mais nos olhos

estaria de bom tamanho
rápida passagem
sem cicatrizes

Mas tinha que ser
tatuagem no peito
venda nos olhos
do corpo
de mãos
atadas

tinha que ser
mescla
de pele e memória
não se arranca
não se apaga

Tinha que ser
redoma de aço
labirinto de estrada
a ser percorrida
mesmo que os pés andassem
mesmo que os olhos
brilhassem

Inda que fosse
( e não é )
luta renhida
porém vencida
e como prêmio
Liberdade
 

 ( Bruno Junger Mafra )
 
 
 

A NOITE DESCE - Bruno Junger Mafra





Bruno Junger Mafra
 
 
 
 
 
 
A NOITE DESCE
 
 
 


Eu te vejo
com mais nitidez
quando a noite desce
sobre Vitória
quando a lua risca
no mar
o que sonho seja o brilho
de seus olhos que nunca me viram
me vendo
pela primeira vez

É facil sonhar sonhar
em te ver
quando a noite
desce sobre Vitória
eis que ela vem
com luzes e brilhos
desenhando no escuro
corpo nu
de lua cheia
sorriso de mil estrelas
sobrepostas
e tantas coisas
que minha imaginação
de poeta diz ser a casa
de seu corpo
( a porta aberta )
me esperando

Quando a noite
desce sobre Vitória
e as luzes refletem
no mar
imagens de mil cidades
é que imagino
o tamanho de meu amor

Maior que a cidade
lua , mar

Quando
desce sobre Vitória
eu me aconchego
nos braços da noite
como
se fossem os seus
 
 


( Bruno Junger Mafra )

UM POEMA TODO NOSSO - Bruno Junger Mafra





Bruno Junger Mafra
 
 
 
 
 
UM POEMA TODO NOSSO
 
 
 
 

 Cuida de mim
nesse momento
em que enxergo
... nas velas dos barcos
lenços brancos
de adeus

Cuida de mim
agora que nem mesmo
o lençol quarado
dos cafezais em flor
ameniza o frio
que carrego

Cuida de mim
do menino crescido
que recolhe na praia
búzios e conchas coloridas
pra te ofertar
em forma de flor

Cuida de mim
nesse exato instante
das esperanças esvaídas
das ilusões levadas e lavadas
nos aluviões das chuvas
quando os sonhos de carona com os barcos
se vão também
para as lonjuras do mar

Cuida de mim
deixe que teu futuro aberto
se sobreponha
ao meu passado ferido
e retire então , com suas mãos de nuvens
o espinho que carrego
cravado
na alma

Ah cuida de mim
porque assim
a vida se iluminará
e eu volte , talvez
a sorrir
 
 

 ( Bruno Junger Mafra )

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

CANÇÃO DO MEDO - Bruno Junger Mafra






Bruno Junger Mafra
 
 
 
 
 
CANÇÃO DO MEDO

 
 
 
 
Sei que hoje
seu nome cabe em meu
coração

tenho medo de
grava-lo

Sabe
estou repleto
de gavetas do tempo
com sentimentos
guardados
cheirando a saudade
molhados de lágrimas
cansados de expectativas
desfeitos
em silenciosos
gritos de dor

tenho medo
de gravar seu nome

me cansei
de apagar
esperanças

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

POEMA FLUVIAL QUASE INFANTIL - Bruno Junger Mafra



Bruno Junger Mafra
 
 
 
 
 
 
POEMA FLUVIAL QUASE INFANTIL

 
 
 
 
Remanso de rio
corre corre
aos seus olhos

verde a canção
do rio
verde seus olhos
( fluvial postura
diante do horizonte )

sorrio te vendo
imitando
curva de rio

entre nós então
uma ponte vai se erguendo
que nem a ponte do rio
que nem a ponte do rio

( Bruno Junger Mafra )

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

MEU POEMA


Bruno Junger Mafra
 
 
 


MEU POEMA
 
 
 
 


Sabe
Meu poema é meu grito e é doído
Feito as cinzas dos mortos que todas as manhãs engulo
Feito as lágrimas que bebo salgado orvalho de minhas auroras

Sabe
A vida ( a minha ) há de aflorar um dia mais além
Da solidão e da morte e do abandono
Talvez naquele lugar onde um dia me embriaguei de sonhos e açucenas

A noite que tanto me afoga eu abrirei
Com afago dos que me amaram
E ela , não obstante densa que é
Não resistirá aos golpes de canivete , do pião e do menino
Dupla personalidade que transcende todos os meus passos

Sabe
Quem garante que o sol inda não brilhe acima da desilusão
Mais acima que o desânimo de um dia após o outro
Que um escarro após o outro
Que uma morte após a outra

Me abençoe agora , menina de antes dos aterros
Porque eu te amo e preciso de tua prece
Eu te amo e preciso de teu afeto
Para dar partida à peregrinação que inicío hoje
Em busca de algumas esperanças
Já sem medo da palavra derradeira

( Bruno Junger Mafra )

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

POEMA DE PERDÃO






Sinto de verdade
os sentimentos
sem eco
que tantas vezes
em mim
depositaram

Peço desculpas
pela minha tristeza
( teimosas cicatrizes
na memória acesa
num facho de fogo -
e como
queima )

A cada mirada
no espelho
mais escuras
as marcas do tempo
mais claros os cabelos
mais sonhos que se foram
sem sucedâneos

Peço perdão
por esse amor
sem raízes
que sempre carreguei
na desesperança
na soberba
nos olhos estreitos
nos sentimentos
sem bússolas
 
na estupefata
interrogação
diante
da vida

Peço perdão
às esperanças
sem reflexos

ao opaco
de meu coração
sem ressonância

Aos tantos atalhos
que construí
nas estradas
que davam
em mim

( Bruno Junger Mafra )

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Agraciado o 17º «PRÉMIO VOAR NA POESIA»





Anunciamos a todos os membros deste Grupo Poético, de que, após analise e unânime decisão do júri, convidado para a atribuição deste Prémio, designado de PRÉMIO VOAR NA POESIA, foi encontrado o décimo sétimo autor/membro a ser agraciado com esta distinção.

Bruno Junger Mafra, autor de nacionalidade brasileira, foi o nosso décimo sétimo agraciado.

O seu trabalho será assim publicado na nossa primeira Antologia Poética, obra que será editada no primeiro trimestre do próximo ano.

Parabéns a Bruno Junger Mafra!


 

domingo, 2 de dezembro de 2012

"POETAR" Homenagem de 02.12.2012




Graças ao valor literário das publicações abaixo mencionadas,os gestores do Grupo Poético VOAR NA POESIA, prestam a sua homenagem aos seguintes autores:

Bruno Junger Mafra - POEMA DE PERDÃO
Felipe Rey Rey - rio
Francisco Costa - O SILÊNCIO
Ira Rodrigues - Queria Uma Noite Assim
Lúcia Polonio - O Tempo
Luciana Saldanha Lima - Tarde da noite

João Quintela Reis - PINTAR SONHOS
Joaquim Barbosa - CHUVA
Jussara Marinho - PALMEIRA, ETERNA BATALHA
Sandro Pinto - Oferenda
Teresinha Oliveira - Os Bigodes Do Gato



(esta ordem encontra-se apresentada por ordem alfabética, não existem classificações)

Os nossos parabéns aos poetas!