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domingo, 10 de fevereiro de 2013

Semente do tudo - Enide Santos

"POETA DA SEMANA"
"POETAR" 5/2013
08.02
 
 
 


Enide Santos



 

Semente do tudo

Somos a semente do tudo
Do tudo mesmo...!
Do tudo que há.
Entre céu e mar.

Por isso gostamos
De formar, de fundir.
Somos tudo e um pouco de tudo
Por isso queremos tudo

Queremos ser sol
Ser chuva...!
Ser pedra...!
Ser ar...!
Por que somos feitos de tudo que há.


Enide Santos 07/02/13

Nesga de Vida - Enide Santos

"POETA DA SEMANA"
"POETAR" 5/2013
08.02
 
 
 
Enide Santos



 
Nesga de Vida

Adornos alvos como nuvens
Ornam a cabeça
Nas linhas visíveis da cútis
O deslizar das lágrimas
Agora encontra barreiras


A pele tornou-se papel
Para que a vida marque
Com tua caneta (Tempo)
Rabiscos (Rugas)
Em forma de raízes


Olhar agora distante
Repleto de lembranças
Sentindo que viveu
Tudo que a vida lhe deu
 
Agora usufrui de cada nesga de vida
Tendo a certeza de que o
Coração não sabe envelhecer
Quer simplesmente vive

Enide Santos 02/02/13

Calada - Enide Santos



"POETA DA SEMANA"
"POETAR" 5/2013
08.02


 
Enide Santos



Calada

Meu silêncio
Não significa
Que o meu sentir
Deixou de existir

Ouça, ele está aqui!
Gritando...
Muito alto
Muito forte
Dentro de mim!


Enide Santos 08/02/13

PERTO E TÃO DISTANTE! - Maria Batista


"POETAR" 5/2013
10.02




 
Maria Batista



 
PERTO E TÃO DISTANTE!

Sinto-te...
perto mas tão distante!

 
Tento encontrar-te,
e não consigo.
Olho, olho, sem te ver...!
Minha metade meu ar,
meu abrigo,
minha mão!

Perto, porém distante!

Será que pode ser?!!!
Onde andas tu então?
Que nunca chegas,
é lento o teu andar,
acumula-se o tempo,
e a tua presença errante!
 
Sinto-te...

Perto mas tão distante!

Saxon 2-2-2013
Mc.Batista

PERENIDADE! - Alvaro Sertano



"POETAR" 5/2013
10.02




Alvaro Sertano

PERENIDADE!

Não!
Ainda não!
Pois mesmo assim
aguçando vossos dentes
entrementes, os detritos,
resíduos, banquete de abutres
lapida-se esfericamente
o todo da poção mágica.
Sim!
Ainda sim.
Mesmo pois assim
que o fétido como aroma,
transfigure como rosas jardins.
Que o amaro, o dissabor ético
monotamente vista-se em coma,
avassale-se em nós, em mim;
És céptica e vêdes analítica.
Talvez!
Ainda que sim, ainda que não!
Vorazes rapinas
perpetuam-se às iras,
anêlos, gigantes sagazes.
Ademais, escribas e fariseus
moléstias, dúvidas,
algozes e torpor.
Fazes alento mor...
abundantemente tenaz,
regosijando aos deuses
a perenidade do amor.

Alvaro Sertano,
do livro Parasitas do Poder.


‎9h da manha. - Vitor Moreira


"POETAR" 5/2013
10.02






 
Vitor Moreira

‎9h da manha. Chega finalmente o comboio na linha terminando a sua marcha de longa viagem. Viagem de mim por entre os pensamentos de ti, das saudades, das recordações, dos olhares, dos teus carinhos e dos teus beijos e do teu simples abraço. Eis chegado finalmente o momento em que sei que me aguardas no cais à espera que eu coloque finalmente, os meus sapatos de verniz comprados na loja de Milão, que me sapatearão em passos de uma bela dama real, caminhando transparecendo suavidade e deleitando olhares invejosos das outras ricas moças que ali se avizinham à espera emocionalmente enfadonhas, do seu belo marinheiro chegado do alto mar prontas para as carregar as costas como se de balas de canhão se tratassem. Mas tu não, tu me carregarás ao colo com tal ternura despojada de insensatez e de i...nsensibilidade humana, porque o teu coração de sargento duro e rigoroso se despadece ao pé de mim. Derramas uma gotícula de lágrima disfarçada por um sorriso no qual posso e consigo ver e admirar a beleza do teu coração, os teus olhos pulam pelas cavidades luz de desejo ardente pela minha pessoa, não pelo corpo, mas por mim mesma, pelo que eu sou e como eu sou. Os meus cabelos bailam a cada passo dado por entre o trajecto que me distancia dos teus braços musculosos e enormes, que se preparam para me aconchegar em ti. 9;01m. Olá meu amor, finalmente te posso rever em mim, ver o meu rosto brilhar nos teus olhos, ver os meus lábios reflectirem nos teus... Esta distância da carruagem até este lado pareceu horas que teimavam em se transformar em anos. Meu amor, não me deixes aqui, leva-me, abraçada em ti, sussurram e ao ouvido que ainda me amas, e que não permitais um abandono do nosso sentimento por entre as águas da vida que escorrem em turbilhões a cada segundo que estamos afastados, não o permitais. Faz-me sentir de novo parte do teu universo. Abraça-me, delicadamente como só tu o sabes fazer e faz-me sentir una em ti próprio,

Dia de tristeza. - Obede Gomes Baran


"POETAR" 5/2013
10.02





 
Obede Gomes Baran

Dia de tristeza.

Quando os fios do destino são alinhados...
A urdidura é tramada e é definido o caminho...
O caminho que cada um trilhará...
É no grande dia que você perde com tristeza...
Perde um grande amigo e irmão de sangue...
Então você sabe que é um dia de tristeza.
Dia de tristeza é quando você recebe tal noticia…
Noticia que chega de manhã junto com o frescor da noite...
Noticia de alguém próximo a você que já partiu...
Partiu sem poder se despedir de ninguém...
Partiu para você e ninguém nunca mais ver...
Partiu deixando para traz saudades e lembranças...
Lembranças boas e agradáveis...
Momentos impares que jamais acontecerão...
Ah malditas lembranças que atormentam...
Lembranças que trazem saudade...
Seria mais fácil se pessoas entrassem e saíssem...
Entrassem e saíssem com simplicidade de nossas vidas...
Mas a dura realidade mostra-me que cada uma delas leva...
Leva um pouquinho de nós, e em troca ficamos com a saudade...
Saudade que nos faz recordar boas lembranças...
Mas que também traz pesar ao coração.

O.G.B.

A pele que me veste - Luciana Saldanha Lima

"POETAR" 5/2013
10.02




 
Luciana Saldanha Lima



 
A pele que me veste

É engraçado como tudo acontece
De repente
Sem esperarmos
A vida traz uma surpresa
Seja ela boa ou não
Mas assim se faz.
Neste momento o que estou a sentir
Podes se enxergar em minha face
Não tenho uma beleza estonteante
Nem sou uma beldade internacional
Sou o que sou
Simplesmente uma Mulher comum
Que carrega uma mala de sonhos
Uma tremenda alegria
E a humanidade de ser
Seria arrogância de minha parte
Esconder meus defeitos.
O meu dom foi concedido
E repartido pelas áreas das artes e das ciências humanas
Assim sou
E estou sob a pele que me veste
Neste momento meu coração está a pulsar
Pois fui matar a saudades de quem estava
Isso torna a vida MARAVILHOSA
Sendo mais do que verdadeira e prazerosa
Quando longe estava
Olhava para a lua
Que gentil fostes para comigo
Se fez inteira no céu estrelado
E beijou por mim o mesmo mar
Que estas a banhar
Assim o levo comigo
E sei que tenho o teu olhar
O pulsar do teu coração
No presente
E caminhando pela vida vou.

Luciana Saldanha Lima

Ar pra respirar - Geane Masago

"POETAR" 5/2013
10.02

 
 
Geane Masago



 
Ar pra respirar

Meu bem...
Tranque a porta ou,
abra-a de vez.

Cubra minha carne ou,
desnude-a num num talvez.

Solte essa camisa de força,
antes que ela mesma
nos-seja a própria-força!

 

 Geane Masago
(03-02-2013)

Fugaz Introspecção. - Poesia E Arte

"POETAR" 5/2013
10.02

 
 
Poesia E Arte



 
Fugaz Introspecção.

Andarilho de caminhos ladrilhados de sonhos;
cada um uma quimera,
que se esvai ao acordar;
inutil persistência esta,
a de continuar a sonhar!
Andarilho este, de tão efémera memória.


Sol da noite
03.02/13

Hoje - Anderson Gouvêa

"POETAR" 5/2013
10.02
 
 
Anderson Gouvêa



 
Hoje

Hoje,
Encontre-me em minhas palavras,
Fazendo do meu sonho nossa realidade,
Pois se digo amar é porque quero amor,

Encontrar a chave que não está perdida.
Apenas está guardada,
Esperando você trazer,

E dizer...
E sorrir por me ver.
E voar por sentir.

E eu sinto quando olho,
Que eu sinto quando vejo,
Nem se for por um momento,

Pois o sol nasceu, e com ele milhares de estrelas,
Por isso caminhando eu vou,
Subindo nas nuvens,
Esperando sua voz mostrar,
Qual coração vem me amar.

Hoje que a loucura seja sabia,
Pois não vivo pelas minhas palavras.
Não tenho medo de dizer:
Não sei, mas quero saber.

Então venha correndo,
Trazendo em seus lábios,
Palavras como versos,
Os quais também eu escrevo.

Com eu disse,
E vou repetir:
Se eu digo amar é porque quero amor.

Se eu digo amar,
Vou cuidar de você como se cuida de uma flor,
Pois era menino, cresci,
Vi um casal.
Sorri.

Cantei uma música,
Fiz uma canção,
Gritei tão alto que o mundo não ouviu,
Mas eu vi,
Um menino que viu amor,
E começou a sorrir.

Hoje que eu não seja apenas escritor,
Mas que eu possa compor,
Uma nota em seu peito,
Assim saberá como é belo o amor perfeito.

Assim saberá que um homem quer te amar,
Por querer ser feliz,
Não que esteja solitário,
Mas falta uma parte de mim em seus braços.

Autor: Anderson Gouvêa
Livro: Retratos

ESTAR COM VOCÊ - Edleuza Nogueira Fonseca

"POETAR" 5/2013
10.02

 
 
Edleuza Nogueira Fonseca

ESTAR COM VOCÊ

Estar com você
é mergulhar no infinito,
voar até o céu
e tocar nas nuvens e estrelas.

Estar com você
é viajar até o paraíso
acompanhado por anjos
e querubins.

Estar com você
é sentir-se como
um marinheiro em alto mar,
um passarinho a voar.
Por isso
como um marinheiro
quer o mar
como um passarinho
quer voar
quero você pra mim.
feliz assim...

(Edleuza Nogueira Fonseca)

Mini Conto "O Guerreiro do Sol". - Maria Morais de Sa

"POETAR" 5/2013
10.02
 
 
Maria Morais de Sa
Mini Conto "O Guerreiro do Sol".

Tenebrosa era
em que espíritos negros,
rondam os bosques, desta noite escura
que o guerreiro tem de atravessar!
As árvores são almas que tudo agarram,
para que as raízes não se partam,
e na terra possam ficar!

Ouve-se o pio do mocho vigilante!
E eis que se adianta alguém, por entre estas trevas!

É um guerreiro ferido das maquiavélicas guerras,
mas não vem só, ele trás consigo, um Lobo mágico
que vive no alto das Serras!

Cantam as bruxas do lago,
esvoaçando sem rumo e por ele
dando voltas... o querem enfeitiçar!

Malvadas!

Os ramos das árvores são serpentes de olhos negros
que o agarram e sufocam, para não o deixar passar!
Mas o guerreiro ferido, levanta a espada
lutando às cegas, pelo encantado bosque que o quer matar!

Mas o Lobo das Serras, de seu olhar penetrante
logo o ajuda, desta batalha sair!
Rasgando vultos, essas sinuosas criaturas
que os estão atacar!
Ferozmente este Lobo, consegue ser seu aliado
e proteger o seu amo deste bosque encantado!

Revoltosas e horrorosas esfinges,
de garras afiadas, atacando na escuridão da noite,
tentando levar a sorte, dos pobres coitados
que por aqui passam!

Mas desta vez a luta foi maior,
este guerreiro ferido e cansado,
tinha a seu lado, um grande lutador!

Aqui, não amanhecia nenhum dia,
porque o rei das trevas, este reino havia conquistado!
Por agora nada a fazer!

O guerreiro tinha o legado,
de levar a sua espada e com ela combater,
mas devido ao seu estado, teria de esperar
pelo momento apropriado e tentar a sua guerra!

Entram os dois por uma caverna e pernoitam o descanso,
tentando o guerreiro curar a ferida e recuperar melhor o corpo!

Ao fim de algumas horas renovam o seu caminho,
subindo por escarpas íngremes, e a meio do seu rumo,
encontram a Águia Olhos de Malva que também os vai ajudar!

Orientados por ela, cedo avistam o castelo!

Teriam de entrar e lá encontrar, o que mais fazia falta!
O que a este reino foi roubado, pelo tirano malvado
que reina agora nesta terra!

Estaria num poço? Num alçapão ou num fosso?
O tinham de encontrar!
Procuram por todos os lados, e nada...!

Quase eram descobertos, pelos soldados das trevas,
mas o faro do Lobo das Serras se pôs logo atento!
E de repente, algo os fez lembrar que o só ali podia estar,
naquela torre mais alta, a mais vigiada e por certo a mais tapada,
para que nada dela se possa soltar!

Assim veio a Águia Olhos de Malva em sua ajuda, distraindo
quem estava de guarda aquela torre!

Subiram desenfreados e perto da porta chegaram, quando
o rei já os esperava!
E foi tão feia a luta que quase deita por terra, a intenção do legado,
mas o Lobo das Serras, astuto, faz de tudo e até de morto e consegue
abrir a porta!

Meu Deus que o delírio morou naquela hora!
O rei cai de joelhos, sua cabeça decepada!

Pela frincha daquela porta, saíam os primeiros raios
da alegria da vida, à muito tempo aprisionada!
Este rei que só via a noite, o sangue e a morte!
Ali naquela torre havia enterrado o dia... a vida!

Assim que este guerreiro cumpriu o seu legado,
tendo sempre a seu lado dois seres da Natureza!
Ajudado pela coragem do seu Lobo das Serras,
pela Águia Olhos de Malva e seu amado cavalo,
abriu à pressa essa porta, donde estava encerrado
o nosso bendito Sol, à muito tempo esperado!

E assim o dia se fez dia, e a noite se fez noite!

Foi tão grande a felicidade e tão forte a alegria
que a Natureza despontou
e nem se notou o esforço!

E aqui vos deixo a magia, o sonho da renovação!

Mas pensem se algum dia,
poderíamos ficar sem o Sol!
Nada seria possível,
nem mesmo este sonho,
ser contado por quem o leia
para lhe poder dar valor!

Maria Morais de Sa
 

sábado, 9 de fevereiro de 2013

AMAR É... - Francisco Costa

AUTOR presente na "ANTOLOGIA VOAR NA POESIA"

 
 
Francisco Costa



 
AMAR É...

Buscar entre espinhos
A flor que se esconde
Baldia e tonta, distraída.

Vasculhar o peito vazio
Indagando onde foi parar
O pedaço que falta, fugiu.

Habitar o outro sempre
Fazendo-se só um pouco,
Órgão a mais no corpo amado.

E sorrir, sorrir cotidiano
E comum como a natureza,
Que se dá em cores e sons, luz
Sem nada esperar em troca.

Permanecer atento a tudo,
A todas as solicitações do mundo
Porque o amor tem o estranho dom
Do inesperado,
De não se fazer anunciado.

E se permitir integral, sem questionar,
Porque, afinal, fomos feitos para amar.

Francisco Costa
Rio, 29/01/2013.

ESCURECENDO...- Teresinha Oliveira

AUTOR presente na "ANTOLOGIA VOAR NA POESIA"
 
 
Teresinha Oliveira



 
ESCURECENDO...

Quando Deus me escapa, eu escureço.
Cinza, perco meus amarelos
Cor preferida.
 
 

Tela de Paul Albert Besnard (1849/1934) - França.
Teresinha Oliveira.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

VERDES - Francisco Costa

Francisco Costa




VERDES

Teus olhos/gema
Águas marinhas
A cintilar.

Teus olhos/água
Mares cristalinos
Onde navegar.

Teus olhos/verde
Sol na folha
A inebriar

Teus olhos/pranto
Encanto que escorre
Gema/água/verde
Diante do meu olhar.

Francisco Costa
25/01/2013

Efêmero - Sulamita Ferreira Teixeira


 
 
 
Sulamita Ferreira Teixeira







Efêmero
.
Por um instante teu amor socorreu-me...
Não falávamos palavras dramáticas
E sim gestos afetuosos que engrandeciam
Nosso interior magoado e cheio de dor...
Tua presença encantando-me...
Teus olhos negros sempre pousados
Em mim...

Teu amor cheio de poesia,
Por algum tempo fez vibrar meu coração...
Rompemos a linha da agonia
E deitamos-nos calados e sem medo
Sobre as pétalas coloridas
Que cobriram-nos de pura magia!
.
Sulamita Ferreira Teixeira

sábado, 2 de fevereiro de 2013

FADO DA COSMOPÓLIS - Valter José Guerreiro

"POETAR" 4/2013
02.02




Valter José Guerreiro


FADO DA COSMOPÓLIS

Dolente de melancolia
Selei no peito a saudade
Das guitarras fiz poesia
E da alma, apenas fado

Fui das margens citadino
Com lágrimas de maresia
E chamei dor ao destino
Nas sombras da Mouraria

Sofri censura e degredo
Fui povo, nobre e burguês
Da morte não tive medo
Estou vivo e sou português

Um português literato
Tangendo Torga e Pessoa
E de jaqueta ou de fato
Amo-te sempre, Lisboa!

De fatum volvi em fado
De ligeiro sou profundo
Ó meu País humilhado
Voa sonhos nas asas minhas
Que sou cidadão do mundo!

Valter Guerreiro


Vontade de passagem - Poesia de Momento


"POETAR" 4/2013
02.02





Poesia de Momento

Vontade de passagem

Suspeitei por tempos que seus cachos eram mais meus do que do mundo. Acreditei como poucos que seu sabor e gosto eram uma coisa só. Sabia descrever cada respiração sua, cada promessa feita, cada nova mordida nos lábios, tudo isso sem ao menos lhe dizer palavras quaisquer.

Entendia muito sobre seu viver, os sapatos azuis, as meias transparentes, a sua mística ao anoitecer. Recebia provas disso toda vez que a via se recompondo de cada surto de mal-criação.

Tinha nas mãos seus números da sorte, seu passos para o norte, sul, oeste. Construía com você falas soltas, marcações no tempo, beijos eternamente na boca. A promovia como um ser meu, assim como era, mesmo.

Hoje esqueci de tudo isso, pois na rosa que lhe trouxe a saudade veio junto e me fez sentir sono profundo, como em todas as vezes que tentei morrer assim como você conseguiu.

http://www.facebook.com/pages/Poesia-de-Momento/281476858627520?ref=hl


FACA DE DOIS GUMES - Guria da Poesia Gaúcha

"POETAR" 4/2013
02.02

 
 
Guria da Poesia

FACA DE DOIS GUMES

Vivo dividida entre amar ou não,
Afinal se não amo, perco a vida
Mas, se eu amo perco a razão,
E vivendo assim por caminhos
Indecisos e desnorteados, eu
Viro tipo pássaro perdido que
Treme e teme ser ferido, ficar
De dor desatinado e desasado,
Pela faca de gumes afiados e
Cortados, pela vida com lados
Tão desafiados e desafinados!

 Guria da Poesia Gaúcha